No inverno de 2014, os londrinenses viram surgir cabides em alguns locais de grande movimentação da cidade para doações de agasalhos. O "Cabide Solidário" já havia dado certo em Porto Alegre (RS) e Curitiba e um grupo de amigos decidiu disseminar a ideia em Londrina. A resposta da população foi tão boa que os voluntários do projeto repetiram a ação solidária no ano passado e em 2016, novamente, mas dessa vez como um desafio. A intenção é que outros municípios adotem a prática e compartilhem fotos e vídeos com o resultado de suas ações nas redes sociais com a hashtag #desafiodocabide.
A ideia consiste em estimular os cidadãos a pendurarem nos cabides peças de roupas que para eles já não têm utilidade para que a população carente possa ser beneficiada. Não há um controle sobre as doações e os agasalhos podem ser levados por quem estiver passando pelo local. Apesar de simples, muitas pessoas procuraram os idealizadores do projeto em Londrina para esclarecer dúvidas sobre como proceder para repetir a iniciativa nas cidades da região.
Para ajudar, neste ano foi criado o site www.desafiodocabide.com.br com orientações que vão desde instruções para a montagem dos cabide, incluindo a arte das plaquinhas disponíveis para download, até a escolha dos pontos e a forma correta de proceder para evitar conflitos com as normas de cada município.
Também há uma página dedicada ao projeto no Facebook. "A intenção é que as pessoas se desafiem umas às outras para que o projeto fique mais dinâmico com a divulgação na internet. A gente quer multiplicar essa ideia e levá-la para além de Londrina", disse Talita Shigueoka, uma das organizadoras da ação no município.
No ano passado, o projeto teve repercussão nacional ao ser divulgado no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo. E para que possa ser adotado por cidades do Brasil todo, os voluntários disponibilizaram no site dois tipos de placas diferentes para serem afixadas aos cabides. Um para agasalhos e outro para roupas de calor.
Sete cabides foram instalados em pontos estratégicos de Londrina: no Terminal Urbano de Londrina (centro), no Terminal de Integração Vivi Xavier (zona norte), na Praça Nishinomiya (zona leste), no Zerão, no Lago Igapó 2, na Alameda Miguel Blasi e na Catedral Metropolitana. "Já tivemos casos de vandalismo, soubemos que donos de brechós levaram as roupas, mas também flagramos uma criança carente pegando uma peça de roupa e um senhor no Terminal Urbano que estava com muito frio ficou bem contente e agradecido ao saber que havia roupas disponíveis tão perto dele. Se a gente conseguir ajudar uma pessoa, já valeu a ação", disse Talita. (S.S.)