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De parar o trânsito - Estilingue estica a autoestima

Walkiria Vieira
NOSSODIA
05 set 2016 às 09:42

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Saulo Ohara
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Da criação à finalização, o comerciante Paulo Tavares, 60 anos, dedicou 15 dias na produção de um estilingue de chamar a atenção. Feito com uma forquilha da árvore canafístula de sete quilos, toda coberta da borracha de uma câmara de ar inteira de caminhão, a peça foi feita sob recomendação de um índio com o fim de acabar com o início de uma depressão do comerciante. "Eu estava limpando um terreno e estava triste, com saudade do Robson, meu filho que faleceu. Foi quando este senhor indígena me deu essa ideia, passou as coordenadas e reforçou que deveria pesar sete quilos no total e depois de pronto ser carregado nas costas." E assim o morador tem seguido as recomendações. "Sabe que passou a tristeza?", comemora. "E pra todo mundo que eu conto e explico o motivo, a pessoa pede pelo menos para tocar no estilingue". Questionamentos à parte, o fato é que em suas andanças, Tavares tem conquistado a admiração de todos. Durante o período de feitio do estilingue, sentiu-se produtivo, capaz e motivado. Morador de São Jerônimo da Serra, Tavares esteve em Londrina recentemente e por onde passou, roubou a cena. "As pessoas gostaram mesmo." De origem indígena, os estilingues, também conhecidos por atiradeiras, são usados de modo comum pelas crianças para acertar alvos e caçar passarinhos e Tavares disse que quando criança já brincou com o artefato. "A presença do índio em São Jerônimo é natural para nós, os respeitamos muito, mas não esperava ter esta atenção. Estou feliz, os índios são muito sábios e espero ficar melhor a cada dia para poder dar aula de capoeira e continuar fazendo minhas apresentações de malabarismo no trânsito."
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