Uma das áreas de maior valor histórico para Londrina, a região onde se localizam o Museu de Arte, o Museu Histórico Padre Carlos Weiss e a Praça Rocha Pombo, na área central, sofre com o abandono e a falta de segurança. Todas as edificações são tombadas pelo Patrimônio Histórico, mas o reconhecimento da importância dessas construções para o município não foi suficiente para garantir a sua preservação.
Além dos prédios tombados, naquele trecho também estão o Centro Municipal de Educação Infantil Valéria Veronesi, a Super Creche, onde funciona o Planetário, e o PAI (Pronto Atendimento Infantil). Tudo bem perto do Terminal Urbano, que deixa a região ainda mais movimentada. A falta de cuidados, que facilita o surgimento de problemas relacionados à segurança pública, gera muitas queixas entre a população.
Há mais de 20 anos trabalhando no entorno da praça Rocha Pombo, o taxista José Leonardo Santana afirma que a situação melhorou na comparação com uma década atrás, mas pede a presença mais ostensiva da Guarda Municipal e da Polícia Militar no local. "Depois que os guardas municipais começaram a fazer a ronda com maior frequência, os policiais militares sumiram. Eles deveriam ficar mais. Tem muita gente que vem até aqui para usar drogas mesmo durante o dia e à noite não tem como ficar por aqui. Deu 18 horas é preciso ir embora porque o risco de assalto é grande", comenta.
A vendedora ambulante Anália Garcia Freire comercializa lanches no carrinho que já passou por diversos pontos da rua Benjamin Constant e hoje está próximo ao Museu Histórico. Assim como Santana, ela também reconhece que a segurança está melhor hoje em relação a anos anteriores. Na praça Rocha Pombo, por exemplo, não existem mais mocós e o risco de assalto durante o dia diminuiu consideravelmente, ressalta Freire. A desativação da fonte há alguns anos, diz a vendedora, foi uma medida que ajudou a conter a invasão dos moradores de rua no local. "Com a água eles vinham ali para lavar roupa, tomar banho e acabavam ficando. Sem a fonte não tem mais o atrativo para os moradores de rua."
A dois quarteirões dali, na praça Tomi Nakagawa, a situação é diferente. "Por lá é complicado passar. E são pessoas de fora de Londrina que vêm e ficam na praça. Tem perigo de ser assaltado." (Simoni Saris/Grupo Folha)
CÂMERAS DE SEGURANÇA
Segundo o diretor operacional da Guarda Municipal, Daniel Sakama, o esquema de segurança da corporação naquela região é feito por meio de patrulhamento com viaturas e câmeras de segurança instaladas nas ruas. "Estamos com um projeto para instalação de mais câmeras nos prédios públicos e nas vias. O projeto já foi aprovado dentro da prefeitura, mas ainda faltam alguns detalhes, como o tipo de câmera que será usada e onde elas serão instaladas", adiantou Sakama.
O diretor disse ainda que a Guarda Municipal mantém uma parceria com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) para a realização de ações que inibam a permanência de moradores de rua nos espaços públicos, com o apoio da Assistência Social. "Tudo isso ajuda a inibir as moradias irregulares e a violência", afirmou Sakama.
A Polícia Militar informou que a ronda na região central é feita ostensivamente por duas viaturas, além do policiamento com bicicletas e esclareceu que os policiais não ficam parados em nenhum ponto específico. (S.S.)
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VIELA
Moradora de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), uma trabalhadora autônoma que preferiu não dizer o nome conta que sempre vem a Londrina e costuma circular pela região dos prédios históricos. "Estou sempre por aqui e essa viela do lado do museu (Histórico Padre Carlos Weiss) é um perigo. Se for um horário de pouco movimento e a pessoa se distrair, pode ser assaltada. Idosos são as principais vítimas e o que os ladrões mais gostam de levar é o celular", diz ela, que já presenciou alguns casos como esse. "Nesse pedacinho aqui, se a pessoa não conhecer e descuidar, vai ser roubada." "Há cerca de 30 dias a mãe de um aluno nosso foi assaltada aqui na região. Levaram carteira, aliança, ela chegou aqui chorando", conta uma das supervisoras da Super Creche, Nilda Alves de Oliveira. Mas a maior preocupação, diz ela, é garantir a segurança das crianças e evitar que os moradores de rua que circulam por ali cheguem até elas. "Eles ficam em volta do muro observando a movimentação, tentam falar com as crianças. A gente tem alertado as crianças para não ficarem próximas ao muro", diz Oliveira. "Os funcionários também temem pela própria segurança. Ficamos até de noite e a viela é uma preocupação. Procuramos sair sempre em grupo." A supervisora reconhece o empenho da Guarda Municipal em atender a todas as solicitações feitas pelos funcionários do centro de educação infantil, mas avalia que este não é um problema isolado daquela região da cidade. "Acho que a cidade toda está assim. É uma questão social." (S.S.)