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Dá pra viajar sossegado e anotar o pãozinho na caderneta na padaria

04 mai 2015 às 20:20
Da porta de casa, o recepcionista de hotel aposentado José Carlos Amorim, 68 anos, observa o movimento de quem passa a pé, ou motorizado. Com sabedoria, conseguiu seguir novos passos quando precisou deixar o mercado de trabalho e também quando ficou viúvo. "A gente se acostuma com tudo e eu me ocupo com esses cachorrinhos". Na hora do bate-papo com a repórter, os cinco cachorros, tão alertas como o dono da casa, param de latir, obedecem o cuidador e o deixam orgulhoso. Da foto, o aposentado abre mão. "Aí eu teria que me arrumar, por uma camisa, tomar um banho, mas aqui na rua tem bastante vizinho zeloso, amigo e que vai conversar com você", afirma. E seu José estava certo. Algumas casas pra frente, um casal de primos brinca. Dentro do quintal, jogam a bola. Na casa ao lado, a avó prontamente nos atende. Moradora há 34 anos daquela rua, Dinir Félix, 59 anos, é zeladora. Criou os quatro filhos na Félix Chenso e hoje alegra-se com o desenvolvimento dos netos, Breno, de 10 anos e Ana Beatriz, de 10. Um dos filhos, Marcio José Felix, 37 anos, tapeceiro, conta que fez da rua um verdadeiro playground na infância e adolescência. "Cresci nessa rua, jogava bola, burca, brincava de esconde-esconde, pega-pega, carrinho de rolimã, eram uns 15 meninos na turma e eu me casei com a vizinha", conta. (WV)

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