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DA ALDEIA ‘PRA’ RUA - Grafite denuncia realidade do índio

25 abr 2016 às 08:53


Quem se lembrou do "Dia do Índio", timidamente celebrado no último 19 de abril? Data que perde destaque nos últimos anos. Porém os alunos da escola estadual Maestro Andréa Nuzzi, localizada no Conjunto Castelo Branco, em Cambé, não se esqueceram do dia dele, que já habitava o país quando os portugueses chegaram em 1500. Com técnicas de grafite, alunos e professores usaram o muro do colégio como painel, para exibir o retrato de um índio abandonado na rua, longe da sua aldeia e exposto aos riscos das grandes cidades.
O criador da obra, Gabriel Lucena, de 16 anos de idade, do 3° ano do ensino médio, produzida com traços de sprays, além de pincéis e rolinhos, disse que a ideia partiu após assistir tantos índios nas ruas, ignorados pela população "cara pálida". "Bolei o desenho sobre o Dia do Índio e sobre os direitos humanos. Hoje, eu vejo que o índio está deixando a sua rica cultura de lado para absorver os valores da sociedade urbana, do homem branco. O que é lamentável", disse o estudante durante o trabalho artístico. "Tem muito índio abandonado nas ruas e isso é ignorado pela sociedade. Além disso, destaco no desenho um bracelete no braço do índio com uma letra ‘M’ amarela (de uma lanchonete famosa). Minha ideia é ressaltar o meio capitalista em que ele (índio) tenta se inserir", detalhou o estudante.
Auxiliando o amigo na produção do trabalho, o aluno do 1° ano do ensino médio do colégio, Leonardo Martins da Silva, 14 anos, explicou que também já observou muitos índios pedindo esmolas nos semáforos, principalmente em Londrina. "Hoje muitos vivem como mendigos nas ruas. Eles ficam indo de carro em carro para ganhar trocados. Talvez usam o dinheiro que ganham para comprar alimentos. Dá muita dó, mas é a realidade deles, que talvez poderiam viver melhor nas aldeias indígenas", acrescentou Leonardo.


Alunos e professores usaram o muro do colégio como painel, para exibir o retrato de um índio abandonado na ru

Discussão em sala de aula
Orientador dos alunos, o professor de artes gráficas, Vitor Hugo Rodrigues, explicou que a ideia de produzir o trabalho surgiu após discussões em sala de aula. "Estamos celebrando a ‘Semana da Cidadania’. Como na terça-feira (19) foi o Dia Nacional do Índio, decidimos produzir este grafite no muro da escola. O objetivo é destacar a atual situação dos índios em nossa região. Que é de abandono total nas ruas das cidades. Este trabalho é uma extensão da sala de aula, já que discussões sobre problemas sociais são frequentes", comentou o professor. "Aproveitamos algumas datas comemorativas do nosso calendário para servirem como tema de aulas. Provocamos a reflexão no aluno, que se expressa por meio da arte", explicou Rodrigues.
Trabalho que exigiu muita dedicação dos alunos. Após cinco horas sob o forte sol, o desgaste era visível, assim como as marcas de tinta em várias partes do corpo. Mas a satisfação era plena após o resultado. "A gente se envolve no trabalho e também fica com corpo todo pintado. Mas sempre vale a pena, é satisfatório por vários motivos", afirmou. "Este trabalho durou pelo menos cinco horas para ser finalizado. O projeto contou com apoio da direção do colégio, que, além de permitir o uso do muro, forneceu os materiais usados para a produção do desenho", ressaltou o professor. (P.M.)


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