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Cultura do descaso - Teatro Municipal: espetáculo só para dengue

06 jun 2016 às 08:45


Longe de receber os grandes espetáculos, hoje o Teatro Municipal de Londrina é apenas um esqueleto de concreto e ferro armado. Localizado no condomínio Marco Zero, área histórica da região Leste da cidade, o canteiro de obras não possui operários e parte do terreno, de cerca de 20 mil metros quadrados, parece mesmo um piscinão por causa da água parada, local perfeito para o Aedes aegypti se desenvolver com tranquilidade.
Orçado em R$ 80 milhões, depois da aparente liberação de R$ 8,3 milhões, por parte do Ministério da Cultura, o espaço começou a ser construído no início de 2013. Porém apenas a etapa inicial da construção foi concluída: a terraplanagem do terreno, a construção da infraestrutura de base e das fundações.
Após três anos, o estado de abandono atrai os olhares de quem passa pela avenida Dez de Dezembro, uma das vias mais movimentadas e porta de entrada do município. Além disso, o futuro teatro fica ao lado de um grande shopping.
A previsão é que o espaço tenha um dia três salas com capacidade para cerca de 2.400 espectadores. No entanto o futuro do Teatro Municipal é incerto. Quem perde com isso? "Londrina", responde o diretor do Ballet de Londrina, Leonardo Ramos. "Vários setores da nossa região perdem com isso. Entre eles o da área comercial. O público também com a menor presença de grandes espetáculos na cidade", observa ele. "A região fica fora do circuito dos grandes espetáculos. Londrina tem uma boa produção cultural, porém não possui bons equipamentos públicos e nem privados", explica ele.


O esqueleto do teatro vira um grande piscinão a cada chuva Cultura do descaso


Ameaça do Aedes
Apesar da grande quantidade de água parada no espaço, na última quinta-feira, a administração municipal descartou qualquer foco do mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Londrina, agentes de endemias realizam inspeções regulares no local. Inclusive, informou a assessoria, na semana anterior, quando nenhum vestígio da formação do mosquito teria sido localizado. Vale ressaltar que o NOSSODIA fez os registros nos dias 31 de maio e 2 de junho. (P.M.)

"O momento é de esperar"
A secretária municipal de Cultura, Solange Batigliana, não divulgou datas para a retomada da obra. "Não há previsão para a retomada deste projeto, pois aguardamos novos recursos, que seriam usadas para a segunda fase da obra, cerca de R$ 10 milhões", adianta Solange. "Porém esse processo ainda está tramitando em Brasília. Ele conta com recursos federais e contrapartida do município. Já foram concluídos 10% da obra, referentes ao investimento inicial. Com este segundo recurso, o objetivo será concluir mais 12% desta construção", comenta a secretária. "O momento é de esperar, já que o país passa por um momento financeiro delicado e incerto", conclui. (P.M.)


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