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Cultura descaracterizada?

21 ago 2016 às 23:04

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Na porta da loja de roupas em que a vendedora L.C, 49 anos, que pediu para não ser identificada, trabalha, a presença de índios já se incorpora à fachada do comércio, que fica no centro de Londrina. Nos seis anos em que está na labuta, já se indignou com algumas situações. "Era um frio de doer e a moça ficava beliscando a criança de três anos. Durou um tempão até que uma cliente também viu e chamou a atenção da índia, tanto para ela parar de bater, como vestir uma blusa nele. Doamos roupas, mas sabemos que isso não faz com que se desenvolvam e saiam desse ermo", pensa. "E o que me incomoda mesmo é usar sempre a criança para arrecadar o que necessita. Os pais deveriam incentivá-los a ter uma vida diferente. Poderiam estudar, se tornar professor, médico, por que não?", questiona. Moradora do Conjunto Hernani Moura Lima, ela conta conta que pela manhã viu uma família de porta em porta no bairro. "Poderiam fortalecer a cultura, mas vejo muitos bebendo e fumando e não trabalham", acrescenta.
O estudante e atendente de restaurante R.O, 18 anos, que também pediu para não ser identificado, mora no conjunto João Paz e trabalha no cento de Londrina. "Aqui no restaurante os índios praticamente entram todo dia para pedir, sendo que em 99% das vezes são as crianças que entram na loja." O atendente diz que já é autorizado a doar comida e em alguns casos os clientes tomam inciativa e dão dinheiro. "Não sei até que ponto isso é certo", expõe. "Na Saul, perto do Móveis Brasília, também ficam no semáforo e a cena é a mesma: os adultos sentados de canto e as crianças pedindo. Muito triste", revela. (W.V.)
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