Com um índice de infestação do mosquito Aedes aegypti no município quase oito vezes acima do limite preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a Prefeitura de Londrina decretou alerta epidemiológico e estado de emergência contra a dengue. A medida foi anunciada pelo prefeito Alexandre Kireeff, durante coletiva em que apresentou o novo Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa). De 8.909 imóveis vistoriados pelos agentes de saúde para a pesquisa, 7,9% apresentaram criadouros do mosquito. A OMS estabelece como limite para infestação do Aedes a marca de 1% dos imóveis. Até 3,9%, o cenário é de alerta. Acima disso, há risco de surto da doença.
Em Londrina, a situação mais grave foi encontrada no bairro Água das Pedras, na zona leste. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 50% dos imóveis vistoriados apresentaram focos do mosquito da dengue. Já na zona oeste, o campeão de infestação é o Jardim Petrobras, com 33,3%. O índice é semelhante no Bairro Aeroporto, na zona leste, que teve 30% de infestação. No centro, a área mais crítica é a da Vila Yara, com 22%, enquanto na zona norte, é o Jardim Germano Ballan, com 25%.
A maior preocupação, aponta o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, é a possibilidade de ocorrer uma epidemia de dengue hemorrágica no município. De acordo com ele, desde 2000 Londrina já registrou 24 mil casos de dengue. A cada reinfecção, cresce a probabilidade do paciente desenvolver a forma hemorrágica da doença. "É uma coisa um pouco trágica, porque de cada quatro pessoas que têm dengue hemorrágica, três vão a óbito. Não estamos falando de uma coisa que é brincadeira. Temos várias epidemias de dengue clássica sucessivas ao longo desses 15 anos. A cada epidemia estamos cada vez mais perto de uma epidemia de dengue hemorrágica", afirma. Na avaliação do prefeito Alexandre Kireeff, esta evolução da presença do Aedes aegypti no município está ligada à diminuição da sensibilização da comunidade sobre o problema e das atuais condições climáticas.
"Não estamos em uma epidemia, mas estas são medidas fundamentais para que isso não ocorra em nossa cidade", salienta Kireeff, sobre o decreto emergencial.
O decreto emergencial da Prefeitura relacionado à dengue permite que agentes de endemias tenham acesso a imóveis fechados ou em que há recusa do morador em liberar a entrada das equipes. Proprietários de residências ou estabelecimentos comerciais que foram notificados pelos agentes e não tomaram providências para eliminar os focos do Aedes aegypti já serão multados. O valor da infração vai de R$ 208,23 a R$ 20.823,00, de acordo com a classificação de gravidade – de leve a gravíssima, conforme a quantidade de criadouros e focos com larvas do mosquito. "Vamos agir com bastante firmeza", reforçou o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin. (A.L.)