Quem já foi picado por um escorpião sabe do sofrimento. Além da forte dor no local da picada, muitas vezes há vômito, taquicardia, sudorese e diarreia. "Se as pessoas já acham a picada de abelha dolorida, a de escorpião então, é bem pior", comenta o limpador de túmulos Silvio Bernardo de Carvalho. Ele foi picado na mão ao pegar uma vassoura em uma espécie de armário de ferramentas no cemitério Padre Anchieta, na zona leste de Londrina. "Na hora, senti a mão amortecida e uma dor que parecia que alguém cortava os meus dedos. Passei muito mal e cheguei a ficar um dia no hospital para receber remédio e soro", lembra.
O acidente ocorreu em 2017, mas o risco no qual Carvalho foi exposto se estende por toda a cidade. De acordo com o setor de Vigilância Ambiental, da Secretaria Municipal de Saúde, os registros de acidentes com o animal ocorre em todas as regiões. Segundo o agente no setor, Mário Inácio da Silva, houve um aumento de casos em relação ao mesmo período de 2017. Entre os dias 3 de janeiro e 8 de fevereiro deste ano, já foram registrados 13 acidentes e 39 animais foram recolhidos e encaminhados para o Lacen-Pr (Laboratório Central do Paraná), em Curitiba.
Dos acidentes, um foi com o escorpião preto (Bothiurus sp), um com o amarelo (Tityus serrulatus) e os demais aguardam laudo ou não tiveram os animais recolhidos. "O amarelo é o mais perigoso, pois tem um veneno mais letal. A pessoa deve matar o animal, recolhê-lo se possível e buscar ajuda médica imediatamente. A reação vai depender de cada pessoa, mas o ideal é que ela seja medicada em até 6h após a picada", explica Silva.
Em 2017, o número total foi de 69 acidentes, com a captura de 288 escorpiões. Os animais são enviados para análise e listagem em Curitiba. "Esse encaminhamento é necessário para mapearmos qual espécie está em determinada região", afirma. (Micaela Orikasa/Grupo Folha)

JARDIM IDEAL
De acordo com Silva, as regiões leste e oeste registram o maior número de escorpiões. Do total de acidentes neste ano, três ocorreram na zona leste e, segundo Silva, um trabalho de vistoria resultou na captura de 15 animais. "Somente no jardim Ideal foram retirados nove escorpiões, sendo que seis eram da espécie amarela", revela. O bairro abriga o cemitério Padre Anchieta, onde o pedreiro autônomo João Toshio também foi atingido na mão. "Mas foi leve. A mão ficou dormente e só. Foi sorte", conta ele, que trabalha atualmente na manutenção de um túmulo e fez questão de mostrar a pilha de entulhos onde os escorpiões costumam se abrigar.
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O que diz a Acesf
A superintendente da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina), Izabel Feijó Oliveira Flores, em nota, ressalta que os escorpiões são animais muito resistentes aos venenos existentes, o que dificulta ações de dedetização voltadas diretamente a estes aracnídeos. "E o aparecimento de escorpiões em cemitérios ocorre em função da existência nestes locais de insetos, como as baratas, que são utilizados pelos escorpiões para alimentação." Segundo ela, para combater os escorpiões, a Acesf tem aplicado veneno na área dos cemitérios rotineiramente, a fim de erradicar os insetos dos quais eles se alimentam. "Contudo, em algumas áreas, como os esconderijos, há dificuldade de pulverização, o que prejudica a total erradicação. Assim, a autarquia está avaliando a possibilidade de aplicar outros métodos que possam ser mais eficazes, e permitam um melhor controle de pragas nos cemitérios municipais." (M.O.)