Moradores da rua Tabajaras, Vila Casoni, região central de Londrina, estão preocupados com a onda de envenenamentos. Há pelo menos um mês, cães estão sendo intoxicados com chumbinho, produzido e comercializado irregularmente como raticida. Para atrair os animais, o produto é misturado aos alimentos, principalmente em salsichas. Além de causar sofrimento, o veneno tem ação rápida e pode levar o animal a morte em poucos minutos.
De acordo com uma das moradoras, a técnica em enfermagem Silvana Myszkowski, ao menos cinco animais já foram intoxicados. Uma das salsichas foi deixada no quintal da sua casa. "Isso vem ocorrendo há mais ou menos um mês. Foram cinco casos", relata. "O meu esposo viu uma salsicha no quintal de casa e foi ver o que era. Ela estava recheada com chumbinho", conta.
Silvana acredita que o responsável pelos envenenamentos não seja morador da rua Tabajaras. "São 42 cachorros apenas nesta quadra. Todos por aqui gostam de animais. Não acreditamos que seja alguém de nós", avalia. "Por que a pessoa está tão incomodada com os animais? Os cachorros não latem à toa", questiona. Apesar dos ataques, Silvana admite que nenhum Boletim de Ocorrência (B.O) foi registrado. "Por enquanto queremos alertar o responsável, para que isso não volte a ocorrer. Todos nós estamos muito revoltados com essa situação", diz. O B.O pode ser registrado em qualquer delegacia da Polícia Civil.
Os cachorros da dona de casa Maria José dos Santos, que possui mais de 15 cães, foram os que mais sofreram com o chumbinho. "Sorte que ela conseguiu agir rapidamente. Após observar os primeiros sintomas nos bichinhos, como vômito e diarreia, a dona de casa correu para o hospital veterinário e conseguiu salvá-los. Em uma das vezes, ela usou ainda o carvão ativado, que corta os efeitos do veneno", acrescenta Silvana. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
Veneno mata em minutos
Segundo a médica veterinária Mariana Cosenza, o veneno tem ação rápida e pode levar o animal a morte em instantes. "Realizamos necrópsias recentes em animais que ingeriram este veneno. A ação é rápida, causa hemorragia interna e atinge vários órgãos. Depende muito do porte do animal, que sofre muito, assim como a quantidade usada. Mas o óbito do animal costuma ser rápido", explica ela.
"O animal deve ser encaminhado rapidamente para um hospital veterinário, para que o seu quadro seja revertido", destaca Mariana, detalhando alguns dos sintomas. "Após ingerir o veneno, o animal passa a apresentar salivação excessiva, contração da pupila, tremores, batimento do coração diminuído, diarreia com sangue", conta ela. A respeito do carvão ativado, usado pela dona de casa Maria José, a veterinária acrescenta que o produto pode evitar a absorção da molécula do veneno pelo animal. (P.M.)
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Não pode ser comercializado
O responsável pelo envenenamento pode ser preso. A Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/98) dispõe sobre sanções penais e administrativas de atividades lesivas ao meio ambiente. De acordo com o artigo 32, praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, prevê detenção de três meses a um ano, e multa. O primeiro parágrafo informa ainda que incorre na mesma pena quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, quando existirem recursos alternativos. O parágrafo seguinte detalha que a pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorrer a morte do animal.
O chumbinho tem a forma granulada e cor cinza. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o produto é clandestino, irregularmente comercializado como raticida, não possui registro na agência e em nenhum outro órgão. A denúncia pode ser feita na Ouvidoria da Anvisa, através do e-mail [email protected] ou para a Gerência Geral de Toxicologia da Anvisa ([email protected]). (P.M.)