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Povo com medo

Criminalidade tomou conta da Warta - Só Jesus na causa

Paulo Monteiro
NOSSODIA
21 jul 2016 às 08:37

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Paulo Monteiro
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O grande roubo de defensivos agrícolas em uma cooperativa no distrito da Warta, região norte de Londrina, segundo os moradores, é o reflexo da atual insegurança. Tomados pelo medo, eles destacam que a comunidade deixou de viver em um paraíso, como era conhecido o local por causa da tranquilidade, para se tornar "uma terra de ninguém", de acordo com o relato de uma mulher que vive há quatro décadas no distrito.
"Me dói falar isso, mas a Warta deixou de ser um paraíso para se tornar uma terra de ninguém. Quem ainda continua aqui, vive apavorado. Quando se aproxima um estranho ou um carro diferente perto de casa, o pânico toma conta. Meus pais, idosos, vivem na zona rural da Warta e também já sofreram nas mãos dos criminosos. Ninguém escapa", relata a moradora, que pediu para não ter o nome divulgado, temendo ser a próxima vítima. "Muitos deixaram a Warta e foram viver em apartamentos de Londrina. Quem ficou, hoje paga pela presença de vigilantes, que trabalham no período noturno. Outros instalaram alarme, câmeras de segurança, cerca elétrica em suas casas, porém tudo isso não impede a ação dos bandidos", diz a mulher.
Além da falta da segurança pública, ela observa que a localização do distrito favorece a ação dos grupos armados. "Infelizmente, a Warta permite a ação do bandido, tanto para ele agir como para ele escapar. O distrito possui saídas para as cidades de Londrina, Sertanópolis, Cambé e Bela Vista", acrescenta ela.
Retornando para a Warta no período de férias, a estuante de medicina Rafaela Gilio Saraiva, hoje residindo em Marília (SP), se surpreendeu com a onda de insegurança que tomou conta de parte da população. "Tenho amigos que tiveram suas casas invadidas. Eles contam que os bandidos entram, furtam ou rendem os moradores e levam embora seus veículos e pertences de maior valor. Cheguei há semanas e não tenho visto muitas viaturas da Polícia aqui", conta Rafaela.


Roubo estratégico
Pelo menos oito homens armados assaltaram a Cocamar Cooperativa Agroindustrial, em plena luz do dia, na Avenida Londrina, no distrito da Warta. Eles renderam funcionários e roubaram diversos defensivos agrícolas. Segundo uma vítima, os bandidos chegaram ao local por volta das 9 horas de terça-feira. Armados, eles renderam os trabalhadores e anunciaram o assalto. Nenhum funcionário foi agredido. Os bandidos portavam pistolas e carregaram uma van, de cor branca, sem placas, e fugiram após carregarem o veículo com os defensivos agrícolas, usados na cultura de trigo.
Os ladrões usavam rádios para a comunicação e conversavam com outros suspeitos espalhados pelo distrito, informou a vítima. Alguns não usavam capuzes e sabiam exatamente os nomes dos produtos mais valiosos. O defensivo mais caro roubado custa cerca de R$ 700, o litro. De acordo com a vítima, apenas os celulares dos funcionários foram recolhidos pela quadrilha. Os aparelhos foram colocados em
um saco plástico e abandonados no patio da cooperativa. (P.M.)

Polícia no distrito
De acordo com comunidade, alguns estabelecimentos da Warta deixaram de receber contas de luz da população por motivos de segurança. Na semana passada, três caminhonetes foram levadas e um mercado também foi arrombado pelos ladrões. "Há policiamento realizado naquele distrito, mas não temos condições de estar no local o tempo todo. A Warta possui uma população de 1.500 pessoas, menor do que muitos bairros na região norte de Londrina", explica Gustavo Rodrigo Rodrigues da Costa Silva, capitão da 4ª Companhia Independente de Polícia Militar (PM), responsável pelo patrulhamento da zona norte.
"Trabalhamos com estatísticas. Segundo nossas estatísticas, áreas como a da Avenida Saul Elkind possui um número maior de ocorrências e também exige a atenção das nossas equipes", comenta Silva, falando também sobre o roubo sofrido pela cooperativa.
Por meio de telefones, o NOSSODIA também tentou ouvir o delegado do 5° Distrito Policial (na zona norte), Rafael Souza Pinto, que deve conduzir o inquérito policial e apurar o roubo dos defensivos agrícolas. No entanto, ele não foi encontrado durante a tarde de quarta-feira. (P.M.)


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