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Criança fazendo arte - Arte como instrumento de socialização

Walkiria Vieira
NOSSODIA
19 set 2016 às 10:15

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Ricardo Chicarelli
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Nas mãos do educador artístico Dovinho Feitosa, 42 anos, o aviãozinho de papel não é só um aviãozinho de papel. Voa longe. Rompe barreiras, desperta a curiosidade e sorrisos. À frente da oficina de artes com crianças e adolescentes atendidos pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps-i), Dovinho faz do avião de papel, um instrumento para a integração. "As oficinas são porta de entrada para o tratamento que precisam fazer". Por meio de brincadeiras e da produção artística, o trabalho, que também exige a participação dos pais para fluir e trazer resultados, transforma-se em uma mostra e prova que intervenção vale muito a pena. A exposição "Para além dos Traços e Diagnósticos" é fruto do trabalho multidisciplinar, que inclui assistente social, enfermeiro, psicólogo, psiquiatra, psicopedagogo, fonoaudiólogo, entre outros profissionais. Durante um ano e três meses, o artista plástico ministrou a oficina de forma que fosse atrativa. "Precisa ser prazeroso. Ao mesmo tempo em que ensino regras, para que não haja desperdício de material, criamos brinquedos, porque o brincar é fundamental. Há crianças que nunca viram um avião de papel e coisas simples assim movem a imaginação. Elas precisam aprender que há mais que brinquedos eletrônicos", frisa. Para a exposição foram selecionados 11 trabalhos, incluindo quadros, bonecos, gravuras e um robô feito com sucata.
Ao apostar na individualidade e na interação, com tato, Dovinho valoriza o ser e o grupo. "Aqui não tem essa de só um ser o bom." Os alunos entendem que podem contribuir com o que sabem e enriquecer o todo. "Não enfocamos a História da Arte, mas fazemos releituras com artistas como Pablo Picasso, Juan Miró, Piet Mondrian". Produzida a várias mãos, a mostra é uma referência de que o estímulo traz resultados surpreendentes. "Ao verem o próprio trabalho, se sentem valorizados, se socializam melhor, exercitam a coordenação motora e a arte final é um combustível para a autoestima. Sei que não estou só ensinando sobre arte quando uma criança que não sorria ou não falava, muda e passa a interagir. Percebe que é capaz, produtiva e ao não aceitar o ‘eu não sei’ como resposta, permito que produza o que sabe." Em uma analogia a seus aviões de papel, Dovinho pensa nos futuro de cada criança e se empenha para que voem longe.

Serviço
A exposição pode ser visitada às segundas, quintas e sextas, das 9h às 17h, às terças das 14h às 18h e às quartas, das 8h às 16h. A Vila Triolé Cultural fica na rua Etienne Lenoir, 155, Vila Industrial.


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