É difícil calcular a profundidade da assustadora cratera. Muitos não têm coragem de se aproximar, outros, ao visualizarem a profundidade, sentem calafrios. Diferente do aposentado Eurico Domingues, 72 anos, que conversa tranquilamente à beira do buraco, localizado aos fundos do Jardim Santa Rita, zona oeste de Londrina. Problema que se iniciou há quase uma década, com o rompimento de galerias fluviais. A situação se agravou com as chuvas de 2016, a cratera avançou sobre o bairro e está a poucos metros das moradias.
Devido ao risco iminente, por pouco seo Eurico não se tornou vítima do buraco. "Fui tirar o carro da garagem de casa e esqueci do buraco. Em marcha a ré, só percebi quando uma das rodas do carro caiu", relembra o episódio. "Grande susto. Só não morri porque fui salvo pelos vizinhos, que tiveram que amarrar a corda no carro e me puxar. Foi por pouco", relembra o aposentado.
A cratera está a cerca de 10 metros do portão da casa de Eurico. Para sair de casa, ele ainda tem de passar por uma rua com pouco mais de cinco metros de largura. Qualquer desatenção pode ser fatal. Morando há 40 anos no local, ele acompanhou o avanço da cratera. "Desbarrancou completamente há dois anos. Gostaria que a Prefeitura resolvesse, mas imagino que será muito difícil acabar com essa cratera", comenta o morador. No fundo da cratera estão as caixas de contenção e pedaços de galerias e manilhas que foram destruídas com pelos deslizamentos de terra.
Terreno impoe vários obstáculos
O engenheiro civil Eduardo Ilnicki, da diretoria de Loteamentos da Secretaria de Obras, segundo divulgação da Câmara de Vereadores, o rompimento das galerias aconteceu há cerca de oito anos, causado provavelmente pela instalação de um aterro na área superior da região. Por causa da erosão, ficaria impossível recompor as galerias no mesmo lugar, pois teriam que ser refeitas a metros dali, aterrada e reurbanizada. Uma das dificuldades apontadas pelo engenheiro, o fato de a área ser particular, acidentada, com vasta vegetação e tubulações.
Durante as tardes de terça e quarta-feira, o NOSSODIA também tentou ouvir o secretário Municipal de Obras, Walmir Matos, mas ele não atendeu aos telefonemas da reportagem. (P.M.)
Na última semana, o vereador Vilson Bittencourt iniciou a articulação com órgãos da cidade em busca de solução. "Visitei o lugar junto aos técnicos da Sema (Secretaria do Meio Ambiente), Consema (Conselho Municipal Meio Ambiente), IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Secretaria Municipal de Obras e Defesa Civil. Ali há várias galeiras. Praticamente toda a água pluvial da zona oeste acaba naquele local, no ribeirão Quati", explica Bittencourt. "Ponto de junção de quatro tubulações, ligadas em uma grande caixa de contensão. Por causa da forte vazão, esta caixa não suportou a pressão e se rompeu. Após isso, a água vazou e começou a umedecer a terra, que passou a deslizar e deixar a tubulação evidente", diz o vereador, que pretende se reunir novamente com especialistas.
"Vamos nos reunir no dia 1° de julho e estabelecer estratégias. Além da Sema, Consema, IAP, Obras e Defesa Civil, esperamos a presença da Promotoria do Meio Ambiente e da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). A primeira ação será a limpeza daquela área, o objetivo é que uma topografia mostre o tamanho do problema. Esperamos que, na sequência, seja possível desviar as tubulações do local, para que a terra não volte a se soltar", espera o vereador. (P.M.)