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Corrupção também no futebol - FBI leva cartolas pra organizarem o campeonato da cadeia

29 mai 2015 às 08:23

"Mas sou apenas eu? Onde estão os outros?" Foi com essa frase que, perto das seis horas da manhã do horário suíço (1 hora no de Brasília), o brasileiro José Maria Marin foi levado por policiais suíços a um carro e conduzido para uma prisão. Na quarta-feira, a Justiça suíça cumpriu um pedido do FBI de colocar na prisão e extraditar dirigentes esportivos da Fifa, aproveitando justamente que estariam todos na mesma cidade para o Congresso da entidade.
Não houve chute na porta do luxuoso hotel Baur au Lac e nem algemas por parte de uma dúzia de policiais. Marin teve até suas malas levadas pelos policiais. Mas o impacto foi de um verdadeiro terremoto no mundo do futebol, com o indiciamento do brasileiro e de mais outros dirigentes por corrupção, lavagem de dinheiro, fraude, conspiração e extorsão, o que poderia valer 20 anos de prisão.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, eram os procuradores suíços que invadiam a Fifa para confiscar documentos apontando para irregularidades e crimes na designação dos Mundiais de 2018 e 2022. As autoridades deixaram claro aos funcionários da entidade de que ninguém deveria deixar o país, nem mesmo o presidente Joseph Blatter.
Não seria por acaso. O que a investigação revela é uma "cultura da corrupção" que envolvia a entidade há 24 anos e que movimentou pelo menos US$ 150 milhões. Compra de votos para a Copa de 2010, compra de apoio para a eleição de Joseph Blatter em 2011, Copa Libertadores, Copa América, Copa do Brasil em 2014 e as suspeitas sobre os Mundiais de 2018 e 2022 são apenas alguns dos principais destaques de uma ampla investigação conduzida nos Estados Unidos e na Suíça.

Camburão cheio
Além de Marin, mais seis pessoas foram presas, em um esquema que também envolveu um total de 14 executivos indiciados pelos norte-americanos. Entre eles estão Eduardo Li, Jeffrey Webb e Eugenio Figueredo, enquanto esposas choravam no lobby do hotel. Doze horas depois, Jack Warner, ex-vice-presidente da Fifa, se entregaria.
Cada um dos detidos foi levado a uma prisão diferente e aguardam a extradição aos Estados Unidos. Praticamente todos já indicaram que vão recorrer, o que deve fazer com que o processo se arraste por seis meses. Em 40 dias, a Justiça norte-americana terá de convencer os juízes suíços da legalidade da extradição.
Nem a Justiça norte-americana e nem a suíça garantem que o presidente da entidade, Joseph Blatter, está fora de risco. Além dos 14 indiciados, outros 25 nomes são apontados como suspeitos. Mas ainda não foram denunciados oficialmente. Por enquanto, são acusados de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro. (J.C.)


Del Nero defende Marin
Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, saiu em defesa de Marin. O dirigente alegou
que todos os contratos mencionados na investigação do FBI eram da época da
administração (de 1989 a 2012) de Ricardo Teixeira na entidade.
"Precisamos entender as razões para essa prisão (de Marin)", disse Del Nero. "São contratos firmados antes da administração de Marin", insistiu. "Não tem nenhum contrato depois". "Temos de saber a conduta. Eu não tenho a mínima ideia do que ocorre. Queremos saber o que passou", declarou. Questionado se ele sabia dos contratos sob investigação nos Estados Unidos, se recusou a admitir qualquer envolvimento. Ele também se negou a comentar o acordo com a Nike, que teria desembolsado US$ 40 milhões em propinas à CBF.


Crime que não acaba mais
A lista de crimes é grande. Na escolha para a sede da Copa de 2010, na África do Sul, o então vice-presidente da Fifa, Jack Warner, recebeu uma mala com US$ 10 mil para votar pelo país. Marrocos, dias depois, ofereceu US$ 1 milhão. Os sul-africanos então ampliaram a oferta a US$ 10 milhões a três dirigentes.
Para a eleição na Fifa em 2011, Warner serviria de banco para que Mohamed Bin Hammam distribuísse US$ 363 mil a dirigentes do Caribe pelo voto. Nem todos os esquemas eram tão simples. O brasileiro José Margulies usou uma série de contas. Jogos das Eliminatórias e mesmo a Copa Ouro foram alvos de corrupção.
Para chegar a tais conclusões, as autoridades contaram com a delação premiada de ex-dirigentes, como Chuck Blazer, que entregou seus colegas. O Ministério Público suíço confirmou que está investigando a compra de votos pelos russos e pelo Catar para os Mundiais de 2018 e 2022.

R$ 200 milhoes pra Marin e Teixeira
As administrações de Ricardo Teixeira e de José Maria Marin teriam criado um sistema de corrupção que passou a exigir que empresas com interesses na seleção ou na CBF depositassem milhões em suas contas fora do País. Por enquanto, apenas Marin foi preso.
Investigações revelaram que José Maria Marin fraudou a CBF e a Fifa para se enriquecer às custas do futebol brasileiro. As propinas não começaram com Marin. Desde 1990 e até 2009, a investigação norte-americana indica que um "alto funcionário da Fifa e da CBF solicitou receber propinas em conexão com o contrato de venda dos direitos da Copa do Brasil". O nome de Teixeira não é citado. Mas o período coincide com sua gestão e com o fato de que ele era ao mesmo tempo "alto funcionário da Fifa e da CBF". (J.C.)


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