Em um piscar de olhos, o aumento do preço do combustível nos últimos dias tem deixado a população de cabelo em pé. Só na última semana, a mudança – sempre para cima – aconteceu em dois dias seguidos: quinta (13) e sexta (14). Em quase um mês, o valor já variou em média R$ 0,20.
Parando em um posto na rua Professor João Cândido, onde a gasolina está R$ 4,37 e o etanol R$ 2,69, o cinegrafista José Marcos Baccetti disse que o aumento fez com que pequenas coisas, como sair para jantar fora de casa, tiveram que ser cortadas da lista. "Uso o carro pra tudo. Se não está comigo, está com a minha mulher". A quantidade de combustível comprado também diminuiu. "Antes colocava entre R$ 50 a R$ 100. Agora tudo depende de como está o meu bolso, hoje mesmo foi apenas R$ 40". Com um carro flex, Baccetti varia entre a gasolina e o etanol. "Muitas vezes o valor do etanol não compensa. Aí vou de gasolina mesmo", explicou.
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Com dois carros na garagem, o corretor de imóveis Ronipeterson Vieira da Souza lamentou mais um aumento no preço da gasosa. "Para ter uma noção, até janeiro eu conseguia encher o tanque dos dois carros. Desde março, é no máximo meio tanque. Ainda mais que a gasolina rende mais nos meus veículos, então acabo pagando mais".
Já em um posto na avenida Leste Oeste, o padeiro Dilson Salomão revelou que para continuar andando de carro, tira grana até mesmo das contas básicas. "Não dá. A gente procura economizar em tudo, e tira até do dinheiro da água e da luz, deixa atrasar, para abastecer o carro". Com preços variando entre R$ 0,52 na gasolina e R$ 0,60 no etanol, segundo pesquisa do Procon, o jeito para Salomão é pesquisar. "Não tenho um posto de confiança, vou rodando e pesquisando até achar o mais barato", completou. Por lá, o litro da gasolina é vendido a R$ 4,39 e o etanol a R$ 2,63.
Utilizando o seu carro para trabalho e justificando que ser mais prático e confortável, o auxiliar de produção Nelson Hirai não descartou, até mesmo, andar de busão. "Se subir muito mais o jeito é deixar o carro, né?", comentou. Com aumento no preço em dois dias seguidos, Hirai aproveitou a oportunidade para abastecer outra vez. "Ontem aumentou o preço e eu coloquei até a metade. Hoje já aumentou de novo. E estão dizendo que vai aumentar mais uma vez, então resolvi garantir e terminar de completar o tanque", finalizou.
Buscando opções para o cliente não escapar
O gerente de um posto que fica na avenida Celso Garcia Cid disse que com a grande concorrência – já que são nada mais nada menos do que quatro postos em um espaço de 350 metros, o estabelecimento busca "se virar nos 30" para não ficar no prejuízo. "Posso falar por aqui, mas quando acontece essas altas, creio que o movimento abaixa de uma maneira geral. A gente também desce e vê como os outros estão praticando os preços, para ficar próximo ou parecido", admitiu. "Temos um cartão fidelidade que dá desconto no litro do combustível. É uma forma da gente não deixar o cliente escapar", finalizou. Por lá, a reportagem notou que o desconto era de R$ 0,04 no etanol e de R$ 0,02 na gasolina. (E.N)