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Combate À violência - Londrina terá escritório de inteligência

29 jan 2017 às 22:49

A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) reconhece que alguns crimes cometidos em Londrina têm sido "motivo de preocupação". Para tentar frear a onda de violência, com assassinatos cometidos com armamento pesado e com características de crime organizado, a Sesp anunciou com exclusividade à FOLHA que o Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep) deve montar um escritório na cidade nas próximas semanas.
Segundo a Sesp, o grupo especializado tem foco no combate ao crime organizado, no trabalho de desmantelar facções criminosas e de coibir crimes de corrupção tanto dentro da polícia quanto em todas as esferas do poder público. Cabe ao Diep o planejamento, execução, coordenação, supervisão e controle das atividades de inteligência de segurança pública no Estado. "É este órgão que planeja e executa ações dirigidas para identificar ameaças reais ou potenciais contra a segurança do cidadão. O departamento também produz conhecimentos que dão subsídios às polícias para coibir a criminalidade", informa a Sesp.
De acordo com a assessoria de imprensa da pasta, a instalação de unidades do Diep no interior vai permitir que as polícias de diferentes regiões possam cruzar dados com mais facilidade e identificar criminosos que agem no Estado. A Sesp informa também que, paralelamente à atividade de inteligência, já começou a reforçar o trabalho preventivo e ostensivo da Polícia Militar, com a aquisição de viaturas e mais efetivo.
INVESTIGAÇÕES
Sobre os inquéritos abertos para investigar as mortes ocorridas em janeiro de 2016, a Sesp informa que montou uma força-tarefa composta pelas polícias Militar e Civil para, primeiramente, reforçar o trabalho ostensivo nas ruas da cidade e, também, na investigação das mortes – tanto do policial militar quanto dos cidadãos de Londrina.
"O inquérito que investigou a tentativa de homicídio contra um policial militar foi finalizado, o que resultou na prisão de sete pessoas, todas denunciadas em ação penal que tramita na 1ª Vara Criminal de Londrina. Os demais inquéritos ainda não foram concluídos pela complexidade dos casos e também pelo farto material apreendido – que é cuidadosamente periciado e analisado pelos policiais", pontua. A Sesp garante que a Polícia Civil tem "trabalhado exaustivamente para concluir os inquéritos de maneira técnica, responsável e isenta".


CONFRONTOS
Com relação aos confrontos, a Sesp informa que todas as mortes envolvendo troca de tiros entre policiais e criminosos são apuradas, respectivamente, nos âmbitos da Polícia Militar e da Polícia Civil. "São muitas as variáveis e fatores que ‘justificam’ um confronto armado entre bandidos e polícia. Um deles, a maior ousadia dos criminosos, além da legislação que hoje permite o uso de armas de calibre restrito, o que encoraja o criminoso a investir contra a polícia numa situação iminente de prisão", aponta a pasta.

‘Estrutura é ínfima e necessidade, gigantesca’
Atual vice-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol), Ricardo Casanova esteve à frente da Delegacia de Homicídios de Londrina de janeiro a novembro de 2016. Ele relembra a grande demanda recebida pela repartição especializada em crimes contra a vida. "Hoje a estrutura da Delegacia de Homicídios é ínfima perante a necessidade, que é gigantesca. A delegacia iniciou 2016 com 1,3 mil inquéritos policiais (para dois delegados). Até a minha saída, em novembro, havia de 850 a 900 ainda em cartório (em aberto)", explica Casanova. Uma das dificuldades, segundo ele, é a falta de policiais para investigar tantos casos. "No período em que estive à frente da delegacia, havia apenas um delegado (a partir de agosto), dois escrivães e oito investigadores, sendo que todos ainda participavam de plantões. Fica impossível concluir satisfatoriamente tantos crimes. Por exemplo, começávamos a investigação de um caso, apareciam outros dois, cinco, 10, 20, 30, e não tínhamos mais condições de atender todos. Tudo isso, além de outros problemas, alimenta a insatisfação do profissional de segurança pública", comenta. Segundo Casanova, a categoria sofre com a falta de reposição e contratação de policiais. "Via sindicato, temos a promessa da nomeação de 49 delegados para este ano. Pleiteamos ainda a abertura de concurso público para o cargo de escrivão. O número de cargos para delegado criados por lei é de 780. Temos no Paraná 380 cargos de delegados em aberto, hoje com apenas 400 na ativa. O Paraná tem a pior proporção de número de delegado por habitantes do Brasil. Em relação ao cargo de escrivão, temos 1,4 mil cargos, pelo menos 700 vagas em aberto. É urgente a abertura de um novo concurso público para este cargo, o que não ocorre desde 2010", detalha.
Para Casanova, a falta de estrutura policial colabora consideravelmente com o crescimento dos homicídios em Londrina e no Estado. "A PM, que desempenha um trabalho importantíssimo, realiza os flagrantes. Mas os números de crimes não diminuem. Você precisa desconstruir toda a cadeia da violência. Não basta colocar atrás das grades apenas a parte mais vulnerável do crime. Desta forma, o Estado não consegue desmantelar totalmente a quadrilha. O crime organizado e o tráfico de drogas, que são os maiores responsáveis pelos crimes, continuam agindo, crescendo e recrutando novos agentes", observa.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) informou que aproximadamente 40% de todo o efetivo da Polícia Civil foi contratado durante o governo atual.(P.M e C.F.)


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