Da lanterna para a vice-liderança. Essa é a evolução desde que a londrinense Giovanna Crivelari chegou ao clube Zhejiang Hangzhou. A meia atacante se mudou para a China há seis meses, contratada para enriquecer e acelerar o desenvolvimento do futebol local. Titular absoluta desde a estreia, a meia atacante de 23 anos é uma das principais atletas da equipe. Tímida na hora de arriscar o mandarim (idioma), a jovem se garante mesmo e dá show com a bola nos pés. Por um ano perfeito, Giovanna espera fechar 2016 com a taça de campeão da Liga Chinesa e cravar seu nome na história futebolística do país mais populoso do mundo.
Loira e bonita, a jogadora nunca foi ignorada pela torcida. Mas foi pelo talento que os chineses deixaram a frieza de lado para gritar o nome da atleta. "O chinês é meio na dele, frio, porém gosta muito da gente e acolhe bem o brasileiro. Não é aquele torcedor que tieta os atletas, mas de vez em quando eu percebo um ou outro tirando foto minha escondido no mercado e na rua", comenta ela, explicando que o esporte se popularizou muito no país. "A nossa torcida enche o mini estádio do clube em todos os jogos. Os torcedores gostam muito de futebol."
E não é para menos, a equipe deu um salto na tabela da competição desde a chegada de Giovanna ao clube. "O país é talvez hoje o que mais investe no esporte e com o futebol feminino não é diferente. Comigo também atuam outras brasileiras. Tem dado tudo certo desde que chegamos ao clube, que estava na penúltima posição no início e hoje ocupa a vice-liderança da Liga. Vale ressaltar que as atletas chinesas são disciplinadas, prestam atenção em nosso jogo e têm colaborado demais", revela a meia atacante.
Apesar da pouco idade, no Brasil a londrinense também foi destaque no Santos, Fox Cataratas, São Caetano, XV de Piracicaba e São Paulo, onde foi artilheira da equipe e vice-campeã paulista em 2015. Mesmo depois de atuar por grandes clubes da elite brasileira, ela afirma que a opção pela segunda divisão chinesa valeu a pena. "A estrutura dedicada ao futebol feminino lá é a mesma do masculino. Muito boa. Nosso clube, por exemplo, é enorme, tem 400 funcionários e inúmeras equipes de base. A China continua abrindo as portas para os estrangeiros, que ajudam a desenvolver o esporte no país. Nossa comissão técnica é formada apenas por japoneses, que possuem maior experiência no futebol asiático", detalhou Giovanna, que passou alguns dias de férias em Londrina. A jovem retornou para a China na última quarta. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
Seleção brasileira
Apesar do bom futebol em solo chinês, a londrinense não está na lista de convocadas para a Seleção Brasileira, que disputa o título inédito da Olimpíada. Giovanna explica que cinco das convocadas atuam no futebol da China. "Fabiana (lateral direita), ‘Debrinha’ (atacante), Raquel (meia), Darlene (atacante) e Rafaela (zagueira). Ao todo há seis brasileiras apenas na primeira divisão chinesa", finaliza ela. Giovanna destaca ainda que começou a jogar no futsal, em Londrina, com as treinadoras Jayne Borin e Vanda Sanches, a quem agradece os ensinamentos. (P.M.)
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Possível campeã
Giovanna vive na cidade turística de Hangzhou, que também dá nome ao clube. A atleta já marcou quatro gols no campeonato e é responsável pelos passes para os atacantes balançarem a rede. A londrinense tem contrato com o time até o fim do ano. Sobre uma possível renovação com o clube, a atleta destaca que seus pensamentos estão voltados para o desempenho da equipe e a possível conquista da Liga Chinesa, que dá vaga para a primeira divisão (a Super Liga).
"Estamos na segunda colocação. Restam cinco rodadas para o fim do campeonato e enfrentaremos o líder no último jogo", adianta. "Mas se não der certo e a vitória não vir, ainda teremos a possibilidade de subir. O segundo colocado da divisão de acesso pega o penúltimo da Super Liga, jogo que vale uma vaga na divisão principal", detalha a jogadora. (P.M.)