"Dor de cabeça", "tosse", "pressão alta", "dificuldade respiratória", reclamaram as pessoas que aguardavam atendimento no Pronto Atendimento Municipal de Londrina (PAM), no Centro da cidade. Mas, para elas, o maior problema foi o atraso no atendimento médico. Na tarde de terça-feira, o NOSSODIA foi até lá para ouvir e registrar a situação. Tinha gente que aguardava no local por sete horas e não tinha sido chamada.
Ansiosa, aos 67 anos, a aposentada Benedita Caetano de Souza caminhava de um lado a outro dentro do PAM e contava as horas esperando atendimento. "Cheguei aqui antes das 8 horas e ainda não me chamaram", contou ela na terça, por volta das 15 horas. "Estou com muitas dores no peito, nas costas, tosse e ainda com dificuldade respiratória. Estou sem almoço. Não me alimento desde a hora em que cheguei. Estou quase desistindo. Acho que vou pegar o ônibus e ir embora sem atendimento", lamentou Benedita, moradora do Jardim Paraíso, zona norte de Londrina.
Mas ela não era a única com idade avançada a sofrer em frente ao PAM. Com queixa de pressão alta, a dona Nair Pinto Paes, 78 anos, repousava dentro do Chevrolet Chevette do filho, estacionado na Rua Benjamin Constant, que foi improvisado de sala de espera. Após chegar ao local por volta das 7 horas, ela já até tinha passado pela triagem médica, mas, por volta das 15 horas, ainda aguardava ser chamada para saber o diagnóstico. Por causa da enfermidade, não conseguia se manter em pé.

Recepção lotada é espera de horas; a dura realidade de quem depende do atendimento do PAM
Médico desaparece e complica ‘todo mundo’
A Secretaria Municipal de Saúde de Londrina informou que, coincidentemente, o atraso no PAM na última terça foi motivado pela falta de um médico. Segundo a Secretaria, normalmente, três médicos atendem no local. Justamente no dia 14 (terça), somente dois apareceram para trabalhar. Mesmo assim, o município teria buscado um substituto, mas nenhum outro profissional ocupou a vaga.
A Secretaria afirmou também que o atendimento seria normalizado no restante da semana. Inclusive na noite da mesma terça, quando quatro médicos atenderiam no plantão do PAM, a partir das 19 horas.
No entanto, a reportagem retornou ao local na tarde de quarta e ouviu mais reclamações das pessoas. Entre elas de Renato Ferreira Diniz, morador do Jardim Monte Cristo, zona leste. "Estou desde o início da manhã esperando aqui e não fui chamado. Caí do meu cavalo e acabei furando o pé em um prego enferrujado. O ferimento está inflamado e não consigo mais trabalhar e nem caminhar de tanta dor", disse Diniz. (P.M.)
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Moças também sofrem
A situação do PAM não discriminava ninguém. As jovens Karina Crispim e Letícia Sabino estavam cansadas de esperar em pé e sentaram sobre a calçada do centro médico. "Sou atendente de lanchonete no Terminal Urbano Central e não aguentei ir trabalhar de tanta dor no estômago. Preciso urgentemente de uma endoscopia para saber o que realmente tenho aqui dentro", cobrou Karina. "Minha espera vai completar 10 horas e ainda não serei atendida. Esta demora só aumenta nosso sofrimento", desabafou.
Com cólica, enjoo, dor de cabeça e tontura, Letícia negou estar grávida, mas afirmou que já havia buscado atendimento médico no início da manhã na Unidade Básica de Saúde da Vila Nova. "Como não tinha médico lá, me mandaram pra cá. Cheguei no início da manhã e até agora (14h30) nada", desabafou. Realidade cruel e parecida com a da costureira Sílvia Regina da Fonseca. "O PAM é o terceiro lugar que procuro hoje (terça). Já fui ao Hospital da Zona Norte, que me mandaram ao Posto de Saúde do Maria Cecília, que me informaram que não tinha médico e me recomendaram vir ao PAM", disse ela, que é moradora da região norte. (P.M.)