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CHEGARAM ANTES - ‘Espertalhões’ esvaziam os sacos das cooperativas

14 abr 2016 às 09:30


Se não bastasse a dificuldade para retirar o sustento dos resíduos, deixados nas ruas e calçadas pela população, o coletor cooperado de materiais recicláveis ainda passou a encontrar os sacos verdes vazios. É que alguns "espertalhões" passaram a se aproveitar da separação feita pela comunidade, na rua Jaguaribe, Vila Nova (região central de Londrina), para retirar os resíduos mais valiosos, como latinhas de alumínio. Deixando os materiais de menor valor, além de muita bagunça. Como mostram as imagens registradas na última semana e enviadas por um morador ao NOSSODIA. E quem paga a conta?
São as cooperativas de Londrina, contratadas pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Principalmente a Cooper Região, responsável pela coleta de pelo menos 88 mil domicílios, incluindo os da Vila Nova. "Infelizmente, essa situação não é nova. Nós flagramos esse tipo de comportamento constantemente. A maior parte de moradores de rua, recicladores autônomos, atravessadores que visam só o próprio lucro. Essas pessoas são convidadas a fazer parte da cooperativa, trabalhar em prol do coletivo, porém atuam individualmente, pois não querem assumir qualquer compromisso", explica Zaqueo Vieira, presidente da Cooper Região.
Realidade que prejudica e muito as cooperativas. "Nos prejudicam demais, pois recolhem apenas os materiais que possuem maior valor, como as embalagens e latas de alumínio. Materiais que ocuparem pouco espaço e facilitam a separação", diz Vieira. A situação também gera transtornos para a população. "Além disso, esse catador autônomo deixa os sacos rasgados após retirar o que lhe interessa. Deixa uma bagunça, as calçadas sujas e também os nossos veículos no momento do transporte dos resíduos", detalha o presidente da Cooper Região. "O município apoia a reciclagem formal em Londrina, mas nos deparamos com estes catadores autônomos, que tem prejudicado e muito as cooperativas, que perdem boa parte do rendimento", acrescenta ele.
Em Londrina, o serviço de coleta de resíduos recicláveis é feito no sistema porta a porta. O material é encaminhado aos barracões de triagem, onde é triado e comercializado, retornando para a cadeia produtiva.

Como não pode impedir, município tenta inserir
Apesar dos transtornos, o presidente da Cooper Região afirma que não tenta bloquear a ação do coletor autônomo. Para amenizar o problema, Zaqueo Vieira recomenda que os moradores não retirem os resíduos das residências antes da chegada das cooperativas. "Mas isso não acontece com frequência. Enfim, ficamos de mãos atadas em relação a este caso", lamenta ele.
A CMTU ressalta que a Prefeitura se esforça para inserir os coletores irregulares em cooperativas de Londrina, uma vez que o cooperado tem assegurado os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Além de equipamentos de proteção individual (EPIs), veículos para coleta e transporte, prensas, empilhadeiras, mesas de triagem e melhorias para a realização do trabalho diário. A coleta seletiva de Londrina promove a inclusão social, gera trabalho e renda, permite melhores condições de vida aos cooperados e contribuiu para a preservação ambiental.
A Companhia espera contar com o apoio da comunidade. A recomendação é que o morador retire os resíduos de casa no horário mais próximo da coleta. O mapa do recolhimento domiciliar, com horários e endereços, está disponível no site: www.cmtuld.com.br. As denúncias podem ser feitas pelo telefone da CMTU: 3379-7900. (P.M.)


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