Não é de hoje que a Rua Tanganica, no trecho do Conjunto Hilda Mandarino, zona norte, é notícia pelos acidentes que acontecem no local. Em janeiro deste ano, atendendo aos pedidos da população, a via foi sinalizada. Porém, parece que a paz está longe de reinar por lá. Dados do Placar do Trânsito da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) apontam que somente em 2018 quatro acidentes foram registrados na área, sendo que um deles vitimou um jovem de 19 anos na tarde da última quarta-feira (18). Juan Serigato Nogueira colidiu na traseira de um veículo que aguardava para entrar na Rua Osmy Muniz. O impacto fez com que Juan fosse atirado metros a frente do local da batida, morrendo antes mesmo da chegada do Siate.
Antes da mudança, a Rua Tanganica contemplava apenas uma faixa contínua no centro para divisão do sentido dos carros. Atualmente, a rua possui faixas para estacionamento e ciclovia, e no local do acidente, sentido bairro-centro, foi criada uma faixa de conversão exclusiva para entrada na Rua Osmy Muniz. A nova sinalização deixou a antes via conhecida pela grande largura a uma rua estreita e com sinalização confusa.
"Parece que era mais tranquilo antes (sem a sinalização)", diz Paulo Otávio dos Santos, de 63 anos, e que mora na Rua Tanganica há 25. "Toda vida pedi faixa elevada ou quebra-molas, pensando nas crianças que passam com as mães depois da escola. É um corredor da morte. Chega às 18 horas isso aqui vira um inferno. Vizinho de Paulo, o pedreiro Frederico Rodrigues, de 58 anos, confessa a dificuldade de chegar em casa. "Antes de chegar, já deixo o alerta ligado para entrar na minha garagem, mas o motorista não respeita. Quando não consigo parar, chego a dar uma volta pelo quarteirão para retornar até minha casa".
Morador há 20 anos no bairro, Alexandre Bacellar mantém uma lanchonete há 10 anos na Rua Osmy Muniz e conta que o histórico de rua perigosa faz até com que os clientes se afastem do seu comércio. "Já ví inúmeros acidentes. Hoje mesmo um acidentado veio almoçar aqui na lanchonete. Ele está há seis meses de muleta e afastado do trabalho. O acidente dele aconteceu nesse mesmo cruzamento. A gente não aguenta mais ver gente sofrendo acidente, perdendo a vida ou ficando encostado. As placas são escassas, a iluminação é precária, então o cliente pensa duas vezes antes de sair de casa e se arriscar", afirma. (Edson Neves/NOSSODIA)