Como se a dor de enterrar um filho não fosse bastante para o coração, Miriam Regina Souza, 48 anos, ainda enfrentou um verdadeiro perrengue no momento do sepultamento do filho devido às condições de acesso do Cemitério Jardim da Saudade, localizado na Avenida Saul Elkind, zona norte de Londrina. "É complicado subir para as quadras. Não tem asfalto e imagine se um cadeirante precisar vir aqui?", questiona. "Sábado mesmo vim aqui para limpar, chovia e era pura enxurrada", acrescenta.
No cemitério, quem sobe e desce pela única via asfaltada, que é a principal, se queixa. "Os corredores são pura terra", começa João Maria da Silva, 68 anos. Na companhia da esposa, zela pelos jazigos de dois filhos e da sogra. "Tem pouca grama, é falhada e até lá na frente eu tive que fazer calçada para melhorar a hora da visita. É feio quando chega um parente, fica ruim pra gente", reflete. "Bom que eles cortaram o mato porque tava batendo no joelho", enfatiza.
Munida de vassoura, balde e produtos de limpeza, a aposentada Maria do Rosário, 59 anos, acrescenta: "Já esteve pior. Lá no fundo, onde está enterrado o meu primeiro filho, eu tinha até medo de ir. Era a maior nojeira e não dá pra entender porque a gente paga o imposto certinho para melhorar mesmo", diz.
A aposentada Idalina Teixeira, 75 anos, acredita que a situação possa melhorar. "É uma pena porque a gente deixa limpinho, vem a chuva e carrega toda a sujeira para quem tem túmulo lá embaixo com a água que escorre. Mas em vista do que era, está melhorando".
O pedreiro Silvano Pereira de Souza explica que muitos concessionários pedem para ele fazer a calçadinha. "Facilita bastante a limpeza do dia a dia." O vendedor Ricardo Bezerra, 33 anos, acompanha a avó, Giorgina Bueno Aparecida na limpeza do jazigo do tio. "É só terra, onde meu tio tá. Além de dificultar o acesso, não para nada limpo. Esperamos que as taxas que pagamos sejam bem empregadas.

Maria do Rosário e o esposo João Maria fizeram uma calçada para evitar o barro

Novo cruzeiro está em obras e será mais seguro
De acordo com a Superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Sonia Gimenez, estão em andamento as seguintes obras no Cemitério da Saudade: projeto de drenagem interna e externa, adequação do sistema de esgoto, reforma dos banheiros e construção de um novo cruzeiro. Sobre as reclamações dos visitantes, Gimenez as considera pertinentes. "Sim, muito pertinentes. No entanto, não podemos dar início a nenhuma obra de calçamento ou recape devido à necessidade de execução de projeto de drenagem. Este projeto encontra-se na Secretaria de obras para elaboração da planilha orçamentária. Na sequência, assim que concluída a planilha, daremos continuidade ao processo de licitação", explicou. Em ritmo de obras, a Secretária adianta: "Acredito que até o período de Finados tenhamos um quadro muito semelhante ao apresentado. O que for possível concluir, concluiremos. Como temos 13 cemitérios, 19 capelas e em média 17 mortes por dia, sob nossa responsabilidade, prefiro não afirmar o que será possível concluir. O que estiver ao nosso alcance e for de nossa competência, afirmo que estamos trabalhando para realização de muitas etapas das obras citadas". (W.V.)