Apesar de um decreto proibir a criação de cavalos na área urbana de Londrina, basta uma volta pela cidade para se deparar com animais soltos por aí. E o perigo é tão grande que quatro mortes já foram registradas na cidade apenas em 2018 em acidentes envolvendo os equinos. Todos em trechos urbanos de rodovias.
O último foi registrado na noite de segunda-feira (3). Diego Gallo Reis vinha na PR-445 sentido Londrina quando viu um cavalo no meio da pista. Parou o seu carro, ligou o alerta e foi retirar o animal da pista, quando outro carro o atropelou. E o pior de tudo: o motorista que atropelou Diego fugiu sem prestar socorro. Como se não pudesse piorar, um terceiro veículo conseguiu desviar apenas da vítima e atropelou o cavalo. Diego foi socorrido pelo Siate e morreu na manhã de terça (4) no HU (Hospital Universitário). Ele tinha apenas 28 anos.
A PR-445 ainda foi palco de outras duas mortes envolvendo cavalos: Moisés Carneiro, de 32 anos, morreu na hora no dia 1º de fevereiro próximo ao pontilhão do conjunto Jamille Dequech quando bateu contra um cavalo que atravessava a pista. Em 25 de maio último, Camilla Cristti Broietti, de 27 anos, estava no banco do passageiro quando o seu namorado não conseguiu desviar e bateu em cheio no animal. Camilla foi levada ao hospital em estado grave e morreu quatro dias depois. O cavalo morreu na hora. Em junho, Alberto Takeshi Mon Ma, de 40 anos, vinha na BR-369 sentido Londrina a bordo de uma moto Honda Titan e bateu contra um cavalo, que sobreviveu e fugiu. Já Alberto não teve a mesma sorte e morreu na hora.
Procurado pelo NOSSODIA, o secretário de Meio Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, lamentou a situação, mas garantiu que o caminhão da Sema vem fazendo rondas constantes e apreendendo os cavalos soltos. "Nós sabemos que o problema é bastante grave em Londrina. Intensificamos o serviço nos últimos meses. De janeiro até agosto, apreendemos 92 animais, 11 só no último mês".
O secretário indicou quais são os pontos de maior concentração dos animais. Além da PR-445, a Rua João Alves da Rocha Loures e Vale Azul (zona sul), a avenida Saul Elkind e os conjuntos São Jorge e Aquiles Stenghel (zona norte), Jardim Olímpico (zona oeste) e na zona leste as proximidades da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). "Reforço que a situação é grave porque mesmo sabendo deste locais e fazendo a apreensão, diariamente encontramos novos cavalos soltos. As rondas diárias não vão deixar de acontecer. O que não podemos permitir é que vem ocorrendo em Londrina, ter vítimas desse tipo. Não vamos permitir que isso continue acontecendo", finalizou.
Denúncias sobre cavalos soltos nas ruas podem ser feitas para a Sema do meio-dia às 18h, por meio do telefone (43) 3372-4771 – setor de fiscalização.
Abrindo doações para agricultores de outra cidade
Segundo o secretário, foi assinado na segunda-feira (3) uma portaria para liberar a doação dos cavalos também a produtores rurais da região metropolitana. "Vamos estender a capacidade de doação. O agricultor se cadastra na Sema e nós entramos em contato para verificar o interesse. Isso foi feito porque temos dificuldade em encontrar interessados aqui em Londrina". Após serem apreendidos, os cavalos à espera de doação ficam em dois sítios da terceirizada da Secretaria. (Edson Neves/NOSSODIA)
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