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Casa vira mocó e associação quer utilizar o espaço

29 jul 2018 às 20:39

Um imóvel desocupado está causando dor de cabeça para os moradores do conjunto Maria Cecília, na zona norte, mais precisamente na Avenida Olívio Pedro Benato. A casa, que é de propriedade do Município, já abrigou por mais de 20 anos a Acirenor (Associação Comércio e Indústria Região Norte) e por outros cinco uma das sedes do Conselho Tutelar. O último a usar o espaço foi a Associação Projeto Pão da Vida, que ficou por cerca de dois anos e deixou o local no fim do ano passado. Hoje, a casa virou mocó e um prato cheio para baderna e sujeira.
"A casa servia para abrigar moradores de rua. Só que muitos deles, além de chegarem após o horário de recolhimento, também desrespeitavam e ameaçavam as mulheres que trabalhavam aqui. Até onde sei, isso foi um dos motivos para a Associação deixar o lugar", disse Alex Rodrigues, que é pastor de uma igreja que fica em frente à casa.
Com o lugar desocupado, não demorou muito para os furtos começarem a aparecer. "O Projeto deixou muitas mobílias aqui e rapidinho começaram a invadir para roubar, como colchões, beliches e outros móveis. Depois foram as portas, janelas, fiação elétrica e até mesmo o relógio de água. Tudo o que tinha algum tipo de valor", afirmou Gislaine Dias Elias, presidente da Amicas (Associação de Mulheres Cristãs In Casa de Talentos).
A Amicas, segundo ela, demonstrou interesse em obter a concessão do espaço. Um ofício até foi encaminhado à Prefeitura em junho. "O interesse é antigo. Em 2009, a ideia era de, em conjunto com outro grupo, usar o espaço para um centro de convivência para jovens e adolescentes. Quando preparava a documentação, houve o destelhamento em uma sede do Conselho e transferiram os serviços para essa casa", explicou.
O projeto, desta vez, é de uma cozinha solidária, com o objetivo de oferecer uma alternativa de geração de trabalho e renda para mulheres em estado de fragilidade social. "Queremos tornar aquele espaço útil", resumiu Gislaine. Rodrigues completou dizendo que a Igreja até ajudaria com alguns projetos. "Podemos conversar com quem assumir a cessão do espaço e até mesmo firmar convênios. A gente só não quer que isso aqui continue um mocó", finalizou. (Edson Neves/NOSSODIA)

Assistência Social diz que casa será utilizada como república
A diretora de proteção especial da Secretaria de Assistência Social, Josiane Nogueira, deu explicações sobre a situação da casa. "O (projeto) Pão da Vida tinha um convênio conosco, mas problemas na prestação de contas fez com que a Secretaria encerrasse a parceria no final de 2017 e o projeto fechou as portas. A mobília estava precária, cheia de cupins e percevejos. Não tinha utilidade para nós".
Josiane destacou que a Secretaria tem planos para reutilizar a casa. "A intenção é que lá funcione uma república para pessoas com deficiência. O edital de chamamento deve sair em outubro. Além dessa, terão mais quatro (repúblicas), sendo duas para adultos e duas para jovens", completou. Questionada sobre o intervalo de tempo entre a desocupação e o novo projeto, a diretora culpou a burocracia. "São processos demorados. Também não queremos ceder o espaço para um projeto e meses depois nós tomarmos de volta, seria errado. Se não tivesse nada em mente, poderíamos ceder a quem tivesse interesse , mas temos sim um plano para aquele espaço", concluiu. (E.N)


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