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Casa própria - Tem alegria no Vista Bela

Walkiria Vieira
NOSSODIA
06 jun 2016 às 08:58

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Do fundo de vale improvisado e ilegal para uma casa de verdade. De papel passado. O lugar de origem de muitas famílias e as histórias de vida se assemelham. É só conversar com moradores de casas ou apartamentos do Residencial Vista Bela, inaugurado em junho de 2011, e projetado para 10 mil pessoas, para entender, na prática, o perfil de quem vive lá. Nesses cinco anos, moradores fizeram novos vizinhos, se adaptaram à distância da mini cidade erguida por meio do programa federal Minha Casa Minha Vida e, apesar dos inúmeros problemas que vivenciam por lá, admitem também que a casa própria fez uma mudança e tanto em suas vidas – para melhor, é claro. Conheça um pouco mais de quem vive e é feliz no Vista Bela.
No início de uma tarde fria, com ameaça de chuva, o vigilante noturno Cristiano Rezende dos Santos, 37 anos, prepara cimento, pedra e areia para dar mais um "tapa" na casa localizada na rua Luiz Mouro, Jardim Vista Bela, na zona norte de Londrina. "Tem que zelar, é nossa primeira casa própria e tem sempre que ficar cuidando". Rezende recorda que quando entrou, a casa estava ‘crua’. "Pegamos sem muro, fundo cru, fizemos o aterro no fundo, teve vizinho que ajudou, outros não, mas vamos vencendo os problemas." Ex-morador do Jardim Panorama, Rezende vive na casa com a esposa, que é auxiliar de cozinha, e dois filhos. "Não tinha nem calçada, mas pra quem morava em uma barraco, tenho que cuidar mesmo, então trabalho de noite, e de dia pego na enxada, mas por um bom motivo". Rezende considera que a casa própria mudou a visão sobre as finanças de toda a família. "Somos mais conscientes e esse é um dinheiro bem investido", reflete.

Mais que uma mudança de endereço
Ex-moradores do conjunto Chefe Newton, os Salles comemoram, a cada dia, a mudança para o Vista Bela, sobretudo em razão de terem realizado o sonho da casa própria. Para o borracheiro Jeferson Luiz Salles, 34 anos, esta foi uma conquista muito grande. Para acomodar melhor a família, Salles fez mais dois quartos e um banheiro na casa, que é feito coração de mãe. Além do casal formado por Jeferson e a esposa Mariana, mais os quatro filhos, o sogro de Jeferson foi acolhido recentemente. "O mais novo nasceu aqui", se orgulham. Na frente da casa, a família fez uma padaria. São vendidos diariamente, de 200 a 300 pãezinhos, em média, com direito a promoção: "Compre 10 pães e ganhe 100 gramas de mortadela. "Agora é outra vida. Só de aluguel, pagava R$ 350. O fato de receber a casa e pagar uma prestação tão baixa, já é pra comemorar. Isso dá força para lutar e dar mais passos."refletem. (W.V.)

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Sete-copas faz sombra e valoriza a área
Moradores de uma das casas da rua Celeste Conto Moro, a dona de casa Bernadete Aparecida Ferreira, 60 anos, e o neto João Pedro, de 4, gostam de onde vivem. "O Pedro nasceu aqui", recorda a avó. Para quem pagava aluguel no alto no Heimtal, a vida agora é outra: "Ter a casa própria é uma alegria." Assim, dá pra entender porque a dona de casa recorda-se até da data da mudança. "Foi dia 4 de julho." Além de fazer um muro e colocar portão, a família plantou uma árvore, uma Sete-Copas, também conhecida como Chapéu-de-sol, na porta da casa- para ter uma sombra e valorizar a área, "Plantei mamão e a vizinha vem sempre pedir para fazer doce, tem flores e também fiz boas amizades", comenta. (W.V.)


Força de vontade que faz a diferença
Na rua Anselmo Pedro Nonino, encontramos seu Antônio Arruda, 45 anos, no maior asseio com a fachada da casa. Portador de osteogênese imperfeita, conhecida como a doença dos ossos de vidro, Arruda não faz corpo mole e conta que sempre procura fazer melhorias. "Com 14 dias de nascimento, já estava com a perna quebrada e tive mais de 20 fraturas". Aposentado, além do sonho da casa própria, Arruda acaba de ser pai. Beatriz tem quatro meses e, enquanto descansa com a mãe, o chefe da família rastela a calçada e tira o excesso de grama com uma enxada. "Eu me mudei no dia 23 de novembro e 2011, não via a hora e agora me sinto independente. Minha mulher, a Vanda, teve poliomielite, também tem deficiência, mas a gente é animado, fez muro, calçada, concretou, colocou grama e aos poucos vai melhorando. Vivemos bem por aqui, faço tudo no bairro, vou à farmácia, mercado, menos a fisioterapia, que é no Centro. Quando preciso, os vizinhos dão até uma empurradinha na cadeira pra ajudar", comemora. (W.V.)

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A bronca vai para a falta de escola
Das queixas apresentadas, destacam-se a falta de escola e cobertura de embarque e desembarque nos ônibus fretados para transporte escolar, por meio de contrato do município via Secretaria de Educação. Moradores relatam que nos dias de chuva, como não há cobertura, os alunos ficam molhados. "E chegam na escola ensopados", disse a mãe de uma criança que preferiu não se identificar. De acordo com a assessoria de imprensa da CMTU, qualquer projeto e recurso para melhorias no embarque e desembarque dos alunos precisa ser averiguado com a Secretaria Municipal de Educação. "E não recebemos qualquer solicitação de "apoio" ou ajuda neste projeto", informou. Já a Secretaria de Educação esclareceu que o transporte era para ser algo provisório, mas enquanto não houver escola, assim será. Sobre o pedido de pontos de ônibus nas ruas Anselmo Pedro Nonino e Izolina Bacci Nonini, embarque e desembarque, respectivamente, a Secretaria Municipal disse não ter informação sobre o assunto. (W.V.)

Linha direta com a Caixa
Em nota, a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal destacou que mantêm contato como os beneficiários. "O Programa Caixa de Olho na Qualidade tem objetivo de atender aos beneficiários do MCMV. Neste Programa tem a opção de denúncia de uso irregular, invasão, venda ou ociosidade. O telefone é 0800-721-6268 e a ligação é gratuita. (W.V.)


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