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Casa própria - Cohab realiza sorteio de moradias

Simoni Saris
Grupo Folha
03 ago 2017 às 10:03

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Fabio Alcover
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Quando o Residencial Flores do Campo (zona norte de Londrina) foi ocupado, em setembro de 2016, a dona de casa Regiane Aparecida Evangelista dos Santos, 27, pensou em fazer o mesmo. Sozinha, sem trabalho, com três filhos para criar e vivendo de favor em uma pequena casa no jardim União da Vitória (zona sul) pela qual um dia já pagou R$ 450 de aluguel, estava apavorada com a situação. Nesta quarta-feira (2), a tão esperada luz no fim do túnel surgiu. Ela foi contemplada no sorteio da Cohab para o Residencial Alegro Villagio, empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida que está sendo construído no conjunto Jamile Dequech (zona sul).
Regiane foi uma das centenas de pessoas que foram até o Ginásio de Esportes Moringão, na área central, para acompanhar o sorteio e ficou muito emocionada ao ouvir seu nome. "Achei que ia ter um treco. Olha como a minha mão está gelada", disse. "Faz seis meses que entrei na fila de espera da Cohab. Ia invadir o Flores do Campo porque dois dos meus três filhos vivem comigo, está difícil para criá-los e os pais das crianças não me ajudam. Soube pela televisão que eu poderia fazer a inscrição."
Mais de 1.380 famílias concorreram ao sorteio das 144 unidades do residencial, realizado em três etapas. A primeira e segunda etapas aconteceram nesta segunda e terça-feira e contemplaram pessoas com deficiência e acima dos 60 anos de idade, conforme determinação dos estatutos do Deficiente e do Idoso. O restante dos apartamentos foi sorteado nesta quarta-feira.
Das 120 unidades restantes, 72 foram para o grupo 1, formado por aqueles que atendiam entre quatro e seis critérios de vulnerabilidade; 30 apartamentos foram reservados ao grupo 2, no qual foram incluídas as famílias que preenchiam entre dois e três requisitos, e as últimas 18 unidades foram destinadas aos candidatos que atendiam a apenas um critério. Em cada grupo também foi feito um cadastro de reserva de 20%.
Entre os critérios de seleção estão as pessoas desabrigadas por área de risco ou catástrofe com relatório da Defesa Civil, mulheres chefes de família, famílias onde há pessoas com deficiência, inscritos no Bolsa Família ou BPC (Benefício da Prestação Continuada), famílias com filhos menores de 18 anos de idade e aquelas que já vivem próximas ao empreendimento.
"O edital ficou aberto durante um mês e as famílias que manifestaram interesse em participar do sorteio poderiam ir até a Cohab, desde que atendessem os requisitos. Dentre as famílias que se interessaram, 1.387 obedeciam aos requisitos", explicou o presidente da Cohab, Marcelo Cortez.
Todos eles passaram por uma pré-seleção. Os que foram contemplados no sorteio serão encaminhados à Caixa Econômica Federal e a documentação passará por uma última análise antes da assinatura do contrato de financiamento, que deve acontecer entre outubro e novembro, quando o empreendimento for entregue. "A expectativa é que todos eles passem o Natal já na casa nova", disse Cortez.
A babá desempregada Sirlei Olegário de Novaes, 34, não vê a hora de se mudar para o novo apartamento com a filha. "Estou desde os 20 anos esperando por isso, indo direto na Cohab fazer campanha para ver se a minha casa saía logo e indo à igreja pedir a Deus para que eu fosse sorteada. Agora vou realizar meu sonho", comentou ela, chorando muito.

PROJETOS
Depois que as 1.218 unidades do Residencial Flores do Campo foram ocupadas, o município teve bloqueados os recursos do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial). O Residencial Alegro Villagio, no conjunto Jamile Dequech (zona sul), é o último empreendimento do Minha Casa, Minha Vida em construção em Londrina. A obra foi iniciada em 2009. "Temos feito outros empreendimentos pelo FGTS, mas há uma diferenciação em relação ao outro programa. Pelo FGTS os beneficiários não podem ter restrição cadastral, são outros requisitos", explicou o presidente da Cohab. Enquanto a Caixa Econômica Federal, responsável pelo residencial ocupado, tenta reaver a posse do empreendimento para que a obra seja concluída e entregue às famílias que têm direito à moradia, Cortez diz que o município tem "usado a criatividade" para captar recursos e fazer novos empreendimentos para atender às famílias de baixa renda.
Segundo Cortez, já há alguns projetos na prefeitura em fase de aprovação na Secretaria Municipal de Obras. Atualmente, há um projeto com 600 unidades habitacionais na zona sul, outro de 48 unidades na zona norte e a Cohab está em fase de implantação de um loteamento da companhia também na zona norte para 400 unidades residenciais. "Tão logo a gente assine com a Caixa, vai poder anunciar os empreendimentos", afirmou. (S.S.)

NOVE BLOCOS
O empreendimento ocupa uma área de 7.500 metros quadrados e contará com nove blocos com quatro andares cada um. Os apartamentos têm 43 metros quadrados de área total e o valor das prestações vai variar de R$ 80 a R$ 250, dependendo da renda familiar, e o condomínio deve ficar entre R$ 150 e R$ 200.
As moradias são destinadas, prioritariamente, às pessoas com renda de até R$ 1,8 mil, que não tenham sido beneficiadas por nenhuma política habitacional e que não tenha casa própria. Hoje, 89% da fila da Cohab são formada por pessoas de baixa renda", disse a chefe da Seção Social da Cohab, Edna Braun. São 67 mil famílias nessa situação. (S.S.)


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