A única estrutura que ainda está em pé de uma rede de postos de gasolina em Londrina virou motivo de medo para a população. Localizada na Avenida Dez de Dezembro, próximo ao Terminal Rodoviário, o prédio se mantém abandonado há quase cinco anos, usado por usuários de drogas e afins. Um "lindo" cartão postal para quem chega ao município.
"Trabalho em um restaurante na rodoviária e passo ao lado todos os dias, a caminho da minha casa. Neste lugar já aconteceram assaltos, brigas. As pessoas ficam usando drogas e usam este mocó para se esconder", comenta a cozinheira Lucineia Andrade, moradora do Jardim Pindorama, região leste. "Durante a noite, por exemplo, não tenho coragem de passar por aqui. Pego o ônibus na rodoviária, vou até o terminal central e só depois vou para minha casa", diz Lucineia.
Outra que está em alerta é a comerciante Dalzira Marquiori, que trabalha a poucos metros do velho posto, também na Avenida Dez de Dezembro. "Medo a gente tem, mas não tem o que fazer. Trabalhamos em frente e assistimos o dia todo o entra e sai do mocó. Muitos rapazes e até mulheres vão ao semáforo pedir dinheiro e depois retornam para usar drogas", relata Dalzira.
Por meio de contratos de concessão, pelo menos seis postos exibiam a bandeira Petrobras. Em junho de 2011, após vencer o acordo de exploração de 20 anos, os espaços foram retomados pela Prefeitura. Também na Avenida Dez de Dezembro, porém na zona sul, o pátio de outro estabelecimento chegou a ser usado para descarregar caminhões e por ambulantes. Já na zona norte, o antigo posto na esquina das Avenidas Henrique Mansano com Winston Churchil, ao lado do Autódromo Internacional de Londrina, se transformou na época em estacionamento. Na zona leste, um posto da Petrobras, que atendia ao lado do Aeroporto de Londrina, foi repassado para a Infraero. Os outros dois ficavam na Avenida Leste-Oeste e chegaram a ser usados para o descarte irregular de lixo.

Quem tem que ir pra rodoviária à noite e precisa passar por lá treme de medo
Sobre o futuro do espaço localizado ao lado do Terminal Rodoviário, o secretário municipal de Gestão Pública, Rogério Carlos Dias, informou que o local abrigará a nova sede do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). "A futura obra aproveitará parte da estrutura já existente, motivo que ela ainda permanece no local. Agentes da Assistência Social do município estiveram no local para retirar as pessoas que ocupavam o espaço, que foi cercado para evitar novas invasões", comentou o secretário. "O terreno está sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, aguardando o início das obras", acrescentou ele. O NOSSODIA foi até o local e registrou que não há obstáculos para evitar o acesso ao prédio, que ainda é ocupado.
Em relação ao antigo posto da Petrobras do Autódromo Ayrton Senna, na região Norte, Dias adiantou que, junto ao Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), a Secretaria Municipal de Obras tem um projeto para a realização de uma obra viária. Os demais postos, de acordo com ele, foram desmanchados e os espaços ganharam gramados. Um deles, na Avenida Leste-Oeste, foi usado para a construção do Terminal Urbano da região oeste.
Inicialmente, os espaços onde funcionavam os postos das Avenidas Winston Churchil e Dez de Dezembro (Jardim Indianópolis) estariam no projeto de um novo modelo de transporte coletivo, chamado BRT (Bus Rapid Transit). As áreas deveriam servir como terminais de embarque e desembarque de passageiros. A ideia era construir canaletas exclusivas para ônibus, que iriam modificar o trânsito na cidade com viadutos, terminais e trincheiras. Porém, adiantou ele, o projeto foi substituído pelo BHLS (Bus High Level of Service), o Superbus, que não exigirá canaletas exclusivas como no BRT. (P.M.)
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, explicou que o projeto para a construção da sede do Samu está em andamento. "A obra será realizada por meio de convênio, entre o município e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR), que é quem vai bancar a maior parte dos recursos. Acreditamos que todo este processo deve ser concluído até março de 2016", esclareceu Martin. "Na sequência, abriremos o edital de licitação, a própria licitação e, enfim, a execução da obra, com previsão para março. Pretendemos executar toda a obra até dezembro de 2016", acrescentou o secretário de Saúde. Ou seja, só depois das Olimpíadas do Rio, marcada para agosto. Martin adiantou que a unidade contará com ponto reservado para pousos e decolagens de helicópteros, além de espaço para a lavagem das ambulâncias de atendimento médico. (P.M.)