Degrau por degrau, o conjunto de mosaicos faz da escadaria mais que acesso de um ponto a outro no Jardim Champagnat, zona oeste de Londrina. A arte no meio do caminho de quem volta de um passeio ou segue para o trabalho não passa despercebida. As cores, desenhos e mensagens dos mosaicos da servidora pública aposentada Rosane Fernandes Araújo, 64 anos, são fruto de sensibilidade, dedicação e amor à arte para a autodidata. "Nasci fazendo arte, mas não tenho formação. Comecei a desenhar aos seis anos e só mais tarde fiz cursos rápidos específicos de mosaico pela A. Yoshii", conta. Perto de concluir os 21 degraus próximos à rua Juiz de Fora, recorda que esta escada não é sua primeira intervenção. "Fiz também a da Vila Portuguesa, na zona norte. Lá são 14 degraus e embora o mosaico suje roupa, eu gosto do que faço porque consigo ver um lugar apagado e transformá-lo."
Descartado ganha cara nova
De caçambas com materiais descartados, vem a matéria-prima para os mosaicos de Rosane. O contato com a arte é uma fonte de luz. Minha nora faleceu recentemente. A vida perdeu a cor, o branco e a arte é remédio para tudo e ouço comentários maravilhosos quando estou trabalhando. Esse é o melhor pagamento e sei que os mosaicos provocam comentários, pensamentos e até reflexões. Minha intenção é deixar o lugar bonito e atendi até pedidos de quem passava. Esse de flores, por exemplo, foi uma senhora que me pediu", aponta. Há ainda degrau dedicado ao mar, para quem gosta de gato, de cozinhar, o de borboletas é para a minha mãe. A Frida Khalo é em homenagem a uma amiga e 80% do que uso é doação. São muitas cores, escolho peças alegres e o conjunto é que torna a obra tão especial. Terminadas as escadas, procuro outro lugar para deixar outro canto bonito."
(Walkiria Vieira/NOSSODIA)
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