No início da semana, uma leitora entrou em contato com o NOSSODIA, informando sobre uma situação que a deixou indignada. Na manhã do último domingo, ela foi ao cemitério Jardim da Saudade, na região norte de Londrina, para visitar o jazigo do irmão. Após deixar o túmulo do ente, enquanto se preparava para ir embora, ela se deparou com vários caixões quebrados, no setor onde ficam as sepulturas conjugadas.
"A imagem que a gente tem é de que trata-se de vandalismo. Só pode. Parece que destruíram as paredes das sepulturas e quebraram os caixões. Uma tristeza. Fico imaginando a pessoa se deparando com a sepultura do familiar naquele estado", comentou uma moradora da zona norte, que pediu para não ter o nome divulgado.
A parte citada pela leitora fica aos fundos do cemitério Jardim da Saudade. Lá estão os mais econômicos sepulcros oferecidos pela Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina).
No local, por exemplo, há um maior número de sepultamentos. São paredões, sem qualquer acabamento. Além dos pedaços dos caixões, há restos e pedaços de faixas de funeral, vasos, flores artificiais, entulho. Além disso, a terra predomina o cenário. A aparência é precária, não há gramado ou qualquer tipo de calçamento.
"Se já não bastasse a pessoa sofrer com a saudade, ainda se desgasta com a situação precária onde seu parente está sepultado", lamentou a moradora.
"As exumações ocorrem quando os familiares pedem a remoção dos corpos e os levam para outros locais." O diretor técnico detalha ainda que a sepultura é cedida por concessão, que duraria três anos. Após esse período, os familiares deveriam adquirir um jazigo para sepultar os restos mortais. Caso isso não ocorra, os restos mortais podem ser destinados ao ossuário municipal. "Uma vez por ano, geralmente em maio, a Acesf publica em edital uma lista com nomes que já estão no local (sepultura conjugada) há mais de três anos. Geralmente, o município aguarda por um período maior e só faz a exumação quando realmente existe a necessidade. Após a publicação em edital, o familiar ainda tem 30 dias para entrar em contato com a Acesf", explica Gervásio. "Sobre o problema, aproveito para pedir desculpas à comunidade e também para agradecer pela comunicação do problema", conclui. (P.M.)
A reportagem encaminhou o problema ao diretor técnico da Acesf, Ademir Gervásio. Ele afirmou que a Acesf não tinha sido informada sobre a situação. "Deve tratar-se de exumações. Quando isso ocorre, os restos mortais são retirados e os caixões encaminhados para um espaço coberto. Eles não deveriam ficar expostos na sepultura", afirma. "Isso não pode acontecer. Neste caso, o coveiro deve realizar a limpeza completa do espaço, não deixar qualquer fragmentos do caixão, pois a sepultura receberá outro. Vou entrar em contato com o administrador do cemitério, para que dê um basta no problema", assegura Gervásio, adiantando que a estrutura também pode ter sofrido ataques de vândalos. (P.M.)