Os moradores da Rua Aparecido de Oliveira, Conjunto Ulisses Guimarães, em Cambé, tiveram uma madrugada de pesadelo na última sexta. Por volta das duas horas, durante a forte chuva, uma enxurrada tomou a via e invadiu diversas casas. Em algumas residências, a água e a lama chegaram a um metro de altura. As marcas ficaram nas paredes. Os moradores estão traumatizados. Parte deles perdeu tudo.
"Não sobrou nada. Nem comida, nem roupa, nem televisão, nem móveis. Estamos perdidos aqui", comenta o desempregado Flávio Ferreira. "Para piorar, ficou essa sujeira toda. Barro no quintal, dentro de casa", lamenta ele, que vive no endereço com a mulher e o filho. Quem puder ajudá-lo pode ligar no telefone 9845-8340.
Na casa da dona Geane Pereira dos Santos, a água atingiu até a cama onde estava dormindo. "A água invadiu muito rapidamente. Quando acordamos, ela já estava em toda a casa. Pra você ter uma ideia, até os nossos colchões estão molhados", lamenta ela, que mora com o marido e dois filhos.
As chaves dos imóveis no Conjunto Ulisses Guimarães foram entregues em julho deste ano. São 340 casas e o empreendimento foi o primeiro do Programa Minha Casa Minha Vida destinado para famílias de baixa renda, operado pelo Banco do Brasil no Sul do país. A seleção dos beneficiários foi realizada através do Cadastro Habitacional da Prefeitura de Cambé.

A água e o barro detonaram tudo nas casas do Conjunto Ulisses Guimarães
Uma das casas mais atingidas está localizada na esquina com a Rua Anime Aidar. A força da água suja foi tão grande que derrubou o muro, estourou a porta de metal e destruiu os objetos no interior da moradia.
Em frente ao endereço, mora o montador de móveis Pedro Dias, que vive no local junto à esposa e o filho. Além de acabar com o que ele tinha dentro de casa, a lama ainda se acumulou dentro do seu carro. Durante a tarde de sexta, ele tentava retirar a sujeira de dentro do seu Chevrolet Monza. "Mas o pior não foi isso, eu tinha comprado 700 tijolos, 300 metros de areia e 400 de pedra para construir o muro em volta de casa. Quando acordei de madrugada, já tinha ido tudo embora. A enxurrada era tão forte que a nossa rua virou um rio. A água também saia pelas tampas das galerias (pluviais)", relembra Pedro. (P.M.)
Luiz Carlos Girotto, assessor administrativo da Secretaria de Obras de Cambé e membro da Defesa Civil, disse que agentes da Prefeitura foram ao bairro avaliar a situação dos habitantes. "Nenhuma pessoa se feriu. O trabalho inicial foi limpar e diminuir o transtorno. O município irá fornecer colchões e alimentos aos moradores. Não será necessário abrigá-los em outro local, pois a estrutura dos imóveis não foi comprometida. A energia elétrica e o fornecimento de água também não foram prejudicados", explicou Girotto.
Alguns moradores afirmaram que a água se deslocou sobre um terreno vazio ao lado do bairro e, por causa da falta de escoamento, causou estragos nas moradias. "Sabemos que o transtorno foi causado pela chuva e o vento forte. Vamos averiguar, a partir de terça-feira, o que colaborou com a enxurrada e assim buscar uma medida para evitar que novos casos aconteçam", afirmou ele. (P.M.)