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Cadê a acessibilidade? ‘Olhai por nós’

14 abr 2016 às 09:48


Um grupo de mães de crianças com necessidades especiais se reuniu na quarta-feira, no Calçadão de Londrina, para cobrar melhorias no atendimento em saúde e lazer.
Falta de médicos especialistas no atendimento de crianças especiais nas unidades básicas de saúde (UBS), falta de acessibilidade nos parques e dificuldade de conseguir equipamentos, suplementos alimentares, leites especiais, entre outros itens, são alguns dos problemas relatados pelas mães.
"Nas UBS não tem médicos para acompanhar as crianças especias. Nunca tivemos em Londrina um hospital específico para crianças especiais e elas não podem ficar esperando na fila para o atendimento", desabafou Gabriela Vieira Batistela, de 36 anos, mãe do João Gabriel, de 5 anos, que tem paralisia cerebral.
A espera por atendimento atrapalha na qualidade de vida das crianças. "Se elas esperarem muito por uma consulta no neurologista ou no ortopedista, por exemplo, elas podem regredir", disse Gabriela.
Mãe do Rafael, de 7 anos, que tem lisencefalia (transtorno causado pela microcefalia), Kelly Mayara Castro Guilherme, de 26, aguarda há um ano por uma consulta com o neurologista. Ela está na fila de do posto de saúde do Jardim Cristal (zona sul). Sem atendimento, Rafael tem tido convulsões. Ela reclama da falta de acessibilidade das calçadas e da inexistência de área de lazer para que as crianças possam brincar no bairro. "Não tem como andar de cadeira de roda nas calçadas e também não tem nenhuma nenhuma árvore", criticou.
Rafael também não está frequentando a escola porque o deslocamento é complicado. "Precisaríamos de um transporte municipal específico. Não tem como levá-lo de ônibus porque ele chora e há muito preconceito ainda", desabafou. Sem ter como sair de casa, Kelly conta que o menino passa os dias sozinho. "Ele fica quietinho no cantinho dele."

‘Mães Especiais’
As histórias e dificuldades das mães são semelhantes. Como a da Juliana Pamela da Silva, de 29 anos, mãe de três filhos. A filha do meio, Lorena, de 3 anos, nasceu com Síndrome do Bebê Hipotônico. A menina não tem tônus muscular e a falta de geneticista e neurologista muscular na rede pública obriga Juliana viajar a cada 15 dias para Lorena ser atendida na Universidade de Campinas (Unicamp), no interior paulista.
"Precisávamos muito de um hospital ou de um centro de reabilitação aqui ou que o município investisse nas entidades para que elas pudessem atender as crianças aqui", comentou Juliana. Para trocar experiências, elas criaram um grupo no Facebook chamado "Mães Especiais", que conta com 195 membros. (A.M.P.)


ACESSIBILIDADE
As revindicações das Mães Especiais não devem avançar. De acordo com o secretário municipal de Obras e Pavimentação, Walmir Matos, "não existe uma secretaria responsável que cuide das áreas de lazer do município". A Secretaria de Obras faz trabalhos pontuais, como rebaixamentos de guia e manutenção de áreas conforme a demanda. "Neste momento, a reivindicação delas não teria respaldo como ação com o poder público", comentou o secretário. (A.M.P.)

‘Sem condições’
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, afirmou que "não tem condições de ter um pediatra capacitado nas unidades básicas de saúde" e que as "UBS, assim como toda a cidade, infelizmente, ainda são voltadas para o atendimento da média e da maioria das pessoas." Ele afirmou ainda que as crianças que precisam de atendimento especializado têm o respaldo do governo para buscar os centros de referência em Curitiba e fora do Estado. "Em determinadas especialidades há apenas um centro de referência no Estado", comentou.
Em 2015, 132 crianças especiais entre zero e 14 anos foram encaminhadas para Tratamento Fora do Domicílio (TFD). O Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná e o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, foram os destinos principais destes pacientes.
O TFD foi assunto da reunião da Comissão de Seguridade Social da Câmara de Vereadores, na segunda-feira, que teve participação das "Mães Especiais" e do secretário de Saúde. Na reunião foi discutida a proposta do projeto de lei, do vereador Gustavo Richa (PSDB), que cria o Programa de Hospedagem Especializada.
O programa será destinado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) hoje beneficiados pelo TFD, que oferece ajuda de custo para alimentação e pernoite, quando necessário, nos casos de doenças não tratáveis na cidade de origem.
A intenção é firmar convênio com casas de Apoio nas cidades onde as crianças são atendidas. Martin apresentou na reunião que os custos preliminares para contratação das casas de apoio seriam de R$ 67.551,55 por ano.


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