Fixada numa árvore robusta, a placa com o nome da Avenida Curitiba passa longe da fama que a capital ostenta – de bem planejada e urbanizada. A via fica no Conjunto Milton Gavetti, zona norte. Bancos de concreto quebrados, alambrado retorcido, paredes se desfazendo são tão evidentes quanto a descrença dos moradores de que um dia o espaço ganhará a melhoria necessária. Ainda assim, um grupo de voluntários procura fazer o possível para que a área que fica além da porta de casa seja mais aprazível. É o caso da aposentada Thereza Busignani, 73 anos. Um dia depois da chuva, ela e a neta, Thais Costa Busignani, 17 anos, recolheram seis sacos de folhas. Cada um de seis litros. "Moro aqui há 24 anos. Era mais bonito, organizado, com tanque de areia, brinquedos no parquinho e com o tempo o povo da associação foi sumindo depois abandonaram de vez pela falta de apoio. "Eu aproveitei bastante com a molecada das outras ruas. A gente subia em árvore, jogava bola, agora virou tranqueira", fala a neta de dona Thereza. Recentemente, um grupo de voluntários pintou os bancos e a maioria dos moradores se mobiliza como pode. "Tem uma senhora que varre uns 200 metros para deixar tudo mais cuidado. Eu mesmo aproveitei muito essa praça, mas agora está abandonada. À noite, então, nem dá pra passar andando porque ficou perigosa", declara o motorista Edson Pache de Lima, 29 anos. O vigilante Alex Aparecido Cirilo, 40 anos, acredita que uma boa reforma poderia mudar tudo. "Eu moro no Gavetti faz 15 anos. Vi tudo se deteriorando. A Prefeitura corta a grama, faz poda, mas poderia ser mais bem cuidado".

Vândalos detonaram toda a estrutura do local, que foi feita com o nosso dinheiro
Em 1980, quando inaugurado o "avenidão" com a praça de fora a fora contou com a presença do então o presidente da República, João Figueiredo, que inaugurou o espaço de lazer. Mas na atual situação, a praça assusta. O comerciante Nelson Lopes, 60 anos, lembra dos tempos áureos do local, em que a simplicidade da convivência e o lazer eram possíveis ao ar livre. "Foi um tempo muito bacana. Ali tinha uma torneira com água, mesa de baralho, bocha. Hoje, todo mundo vive trancado. Os adultos deitam cedo, os mais jovens no ‘zap zap’. Essa praça não é nossa. Essa praça é morta, perigosa e cada árvore é um ponto de droga, mas isso não é só por aqui. O tráfico e a violência estão por toda Londrina". (W.V.)
O serviço de capina, roçagem e limpeza cabe à CMTU e, de acordo com a vizinhança, está em dia. Sobre a segurança, a reportagem do NOSSODIA entrou em contato com o secretário de Defesa Social, Coronel Rubens Guimarães. "Não temos nenhum registro de reclamação. A praça em si a gente cuida, mas sobre o uso de drogas não é só responsabilidade da Guarda Municipal", declarou. A 4ª Companhia Independente da Polícia Militar tomou conhecimento das queixas de moradores, se comprometeu a informar se há registros de queixas, mas não o fez. Na Fundação de Esportes, responsável pela administração de espaços públicos esportivos, ninguém se pronunciou a respeito embora a insistência da reportagem.(W.V.)