Alunos do Ensino Fundamental I de uma escola na região central de Londrina tiveram compromisso importante recentemente: visitar o Lar das Vovós e dos Vovôs Gilda Marconi, fundado em 1959. Com direito a presentes e um chá da tarde, a turma de 34 alunos cantou e declamou poesia aos idosos. A tarefa fora da sala de aula está na agenda desde o início do primeiro semestre e, de acordo com a diretora da escola e psicopedagoga, Acione Biqueri, além de ser uma forma de lembrar o Dia dos Avós, comemorado em 26 de julho, a ação integra um projeto social. "Ano passado, estiveram em uma escola do União da Vitória, na zona sul. Antes, fazíamos a festa dos avós na escola e decidimos que era hora de sair das quatro paredes, ver a realidade e passar o sentimento de respeito aos idosos." Para a professora Luciana Teixeira, a atividade faz parte do processo de aprendizagem e socialização. Maria Eduarda Silva, 11 anos, do 4º ano, já conhecia uma casa de idosos. "Minha bisavó faleceu o ano passado, mas antes foi para um asilo em Rolândia. Não teria outro jeito. É importante ter lugares assim, que cuidem das pessoas mais velhas. Todo sábado eu ia lá". João Guilherme Caetano da Silva, oito anos, já pensa em voltar ao Gilda Marconi. "Eu tenho tempo e vou pedir para minha mãe me trazer." Entre as avós, dona Maria José Félix de Oliveira, 75 anos, a Zezé, se entusiasma com a chegada da turma e quando se despedem lança: "Quando é que vocês voltam? Adorei. Meu filho vem aqui, traz meus netos e fico feliz. Fico outra pessoa", diz a mineira.
Após a visita, é realizado um trabalho individual – uma redação – onde as impressões e sentimentos tomam forma por meio da palavra escrita. "A redação é uma maneira de termos esse feedback, explica a diretora. "O encontro é importante para as crianças e para os idosos. Eles precisam ter mais visitas, a sociedade deve se conscientizar sobre isso e felizmente tivemos 100% de apoio dos pais, que aderiram à nossa campanha de arrecadação com produtos de higiene pessoal, biscoito e bolos para que cada idoso também receba um kit individual como lembrança". Com 14 anos de atuação, a diretora considera que práticas como essa fazem parte da formação do indivíduo. "Não devemos perder esses valores e é essencial respeitar tios, tias avôs e avós sempre", ratifica.
Ainda que sem laços de sangue, os pequenos contam que gostariam de manter o vínculo e dar amor aos idosos que moram no lar e agora em seus corações.
Alternativa segura para idosos
A vice-presidente e voluntária do Lar das Vovós e dos Vovôs, há 30 anos, Julia Barros, considera que a inciativa das escolas que visitam a unidade é positiva. "Divulga o nome da instituição perante os pais e proporciona às crianças outra visão. As doações são necessárias", afirma. Sobre o preconceito em torno dos casas de apoio e abrigos para idosos, Julia Barros considera equivocado. "Todos os encaminhamentos que chegam aqui são feitos por familiares conscientes. A população idosa está aumentando, a expectativa de vida do brasileiro aumentou e, ao mesmo tempo em que os familiares precisam trabalhar, no Lar das Vovós e dos Vovôs recebem medicação, higiene e alimento na hora certa", esclarece. De acordo com a vice-presidente, atualmente a instituição cuida de 72 idosos. "Todos chegam por meio de encaminhamento feito pela Secretaria do Idoso". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
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