A Praça Independência é uma referência e tanto para os moradores da Vila Recreio. A escritura de doação das áreas públicas datada de 12/11/1957 e o item 414 da Lei Lei Municipal nº 880/1964 encerra: "limitada pelas Ruas Tietê Jorge Casone e Tamanduateí, da Planta da Cidade". É nesta área verde que as crianças brincam, os cachorros mostram adestramento, os mais velhos comentam o noticiário e as pessoas mantém a atividade física em dia nas academias ao ar livre. É o caso da atendente de call center Sissi Pereira, 54 anos. Moradora do Jardim Planalto, é na Vila Recreio que Sissi encontra o equilíbrio. São 15 minutos de sua casa até a praça, onde dá sequência a uma série de exercícios e alongamento. "Sou formada em Educação Física, sempre mantive esse hábito e aqui é uma delícia. Um local arborizado e eu, que faço amizades fácil, me sinto muito bem aqui. Essa praça é um patrimônio, deveria ser mais valorizada e os moradores, principalmente do entorno, devem saber o quanto são privilegiados", pensa.
Acompanhado da cachorrinha Katarina, o aposentado Osvaldo Rubo, 75 anos, dá voz aos vizinhos: "Nós amamos a Vila Recreio. Só na mesma casa estou há 35 anos. Aqui tem padaria, mercado, dois colégios, paróquia, farmácia. Estamos muito bem servidos", fala. "Lembro de meus filhos brincando aqui, ao ar livre, mas hoje as crianças ficam muito embutidas dentro de casa. Sinto saudades daquele tempo." Em casa, a esposa de seu Osvaldo, dona Necilda, dá um cochilo - na vila que é considerada um sossego. "Ela está doente, parei de trabalhar para ficar com ela e somos felizes aqui. Não é porque eu moro aqui, mas é um lugar muito bom para se viver". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)

Qualidade de vida da cidade com peculiaridades do campo
A área de verde com bancos e sombra atrai. No fim de semana há piqueniques programados e nos dias da semana, trabalhadores de firmas do entorno fazem da praça refeitório e dormitório. Ali batem a marmita e também tiram a sagrada sesta, sem que isso incomode a vizinhança. Aos 85 anos, Gustavo Zampira se orgulha de onde vive. "Estamos aqui há mais de 60 anos. Eu e meu irmão Gumercindo ajudamos a plantar as árvores da praça", conta. E sua cunhada, a instrutora de treinamento de call center, Mariles Vieira Scremin, confirma. Seu Gustavo foi carroceiro por décadas, percorreu toda Londrina fazendo fretes e seu último animal, Brioso, honrou o posto. "Era um burro fácil de controlar. Tudo depende do condutor", ensina. No meio da tarde, enquanto observa o movimento na praça, conta mais um pouco sobre sua experiência na Vila Recreio: "No começo, a gente entregava leite nas casas. De casa em casa, de litro em litro, todos os dias." Da casa toda de madeira, conquistada com o suor da roça, enxerga o Relojão, um dos cartões postais de Londrina. O terreno da família tem 45 metros de comprimento e lá no fundo estão pés de limão, tangerina, laranja, pitanga, fruta do conde. Na fachada, as rosas são protagonistas e Mariles não deixa o pé de café passar despercebido. "Esse pezinho de café o meu marido, o Gumercindo, preserva. "Ele colhe, meu enteado torra, mói e traz em pó pra gente fazer e tomar. Temos outros na lateral, mas esse é especial pra gente e mistura à nossa história e a da cidade." (W.V.)
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