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Bate um bolão - Ela bota a bola pra dentro

Walkiria Vieira
NOSSODIA
21 mai 2015 às 17:42

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Walkiria Vieira
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Quando o porteiro anuncia a chegada da reportagem do NOSSODIA para uma entrevista com a artilheira do São Paulo, Giovanna Crivelari, 22 anos, uma moradora comenta orgulhosa: "A Gi ainda tá aí!". O carinho da vizinha Lúcia Lélis Ribeiro, 50, pela jogadora vem de longa data e a atacante retribui: "Eu nasci aqui no condomínio e todo mundo sempre me viu jogando e torceu por mim." Ainda bem menina, a londrinense era admirada jogando o seu futebol com os adultos. "Ela queria jogar pra valer e levava a sério", recorda Lúcia. Um dia depois de encarar o Taubaté no Centro de Treinamento Vila Porto, em Barueri, na Grande São Paulo, a camisa 11, aproveita o dia de folga para matar a saudade mãe. "Meu pai e meu irmão foram lá torcer por mim." O jogo mais recente ficou no 1 x 1, a equipe fecha a última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista em primeiro lugar. E no ambiente de origem da atleta, vemos também que encontrou o ponto de partida e o apoio de que precisava para investir suas energias no esporte e dividir muitas vitórias que ainda tem pela frente.



E o futebol falou mais alto
A sede por futebol sempre foi grande, mas o primeiro destaque de Giovana foi na base da pedalada."Comecei no ciclismo e no bicicross, mas meu negócio é mesmo jogar. E a grande oportunidade veio aos 16 anos. "Participei de uma peneirada no Santos e precisei sair de casa." Durante dois anos, Giovana esteve no badalado elenco do Sereias da Vila e quando o projeto chegou ao fim, passou a representar o Foz Cataratas, principal equipe do futebol feminino paranaense.
Nesse período, participou do Mundial Sub-20 com a seleção brasileira. "Não chegamos à final, mas foi uma experiência enriquecedora", conta.
Depois, foi a vez de emprestar sua força ao São Caetano e depois para o XV de Piracicaba. Há pouco mais de um mês, defende o São Paulo e vive em Barueri em um CT com mais 24 atletas. Quem é de fora pode até imaginar que é uma casa estilo Big Brother, mas lá a disciplina é quem manda. A rotina é também uma oportunidade de conhecer novas culturas. Entre as moradoras-atletas, Janaína, uma cearense que também jogou com Giovanna no Santos. "Mas o descanso é tão importante quanto o treino", enfatiza. Os cinco anos de carreira profissional são sinônimo de pura disciplina. "É uma rotina de treinos diários, jogos nos fins de semana e quando tenho folga, corro pra casa. Minha mãe ainda não se acostumou com a ideia de eu ter me adaptado tão bem e a gente se fala todos os dias." (WV)

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Profissão? Atleta
O primeiro gol na estreia do Peixe, Giovana não esquece. "Meu primeiro
jogo do Campeonato Paulista", recorda. Com foco, a jogadora que persiste no esporte já cursou um ano da faculdade de Educação Física. "Se vou preencher um cadastro e respondo que sou atleta, as pessoas ficam curiosas, já começam a falar de futebol e o assunto deslancha." Sobre o apoio à modalidade, pensa: "O apoio é limitado, mas o São Paulo formou essa equipe - parada há 15 anos. Estamos melhorando e eu quero dar o melhor de mim. Admiro muito a Marta (camisa 10 da Seleção e eleita melhor do mundo por vários anos) e meu objetivo é servir a
seleção brasileira. Já fui para o Sub 20, ano que vem tem Olimpíada e quem sabe um olheiro não observa o meu trabalho. Quando um projeto se encerra, é difícil, chorei e cheguei a pensar que não jogaria mais, mas outras portas vão se
abrindo, por isso jogo futebol com alegria, amor e quero melhorar cada vez mais. Sei que a carreira é curta, o futebol feminino acaba cedo, não descarto novas experiências e admiro muito a área da fisioterapia." (WV)

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Mãe, cadê minhas medalhas?
Não. O quarto da Giovanna não virou sala de TV. "Ah,não. Quando eu tô aqui tenho o meu cantinho." Depois de pelejar, Giovana que é mais visita do que moradora no apartamento de três quartos localizado na zona oeste de Londrina, decide pedir socorro à mãe, que indica onde estão suas medalhas. Lá vivem os pais, Anselmo e Marli, e o irmão Lucas, de 13 anos. De uma caixinha de sapato, elas surgem todas organizadas. Lado a lado, com as fitas de cetim em maço, mostram o colorido e se misturam a sonhos e realizações. Na hora de fazer a foto, Giovanna é modesta, não pega todas. Sem escolher por uma ou outra, fica cercada por uma porção e faz pose ao lado da bola de futebol, sua eleita para ser feliz. (WV)


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