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Janeiro Vermelho

BANHO DE SANGUE - Janeiro de 2016 é o mais violento dos últimos anos

Paulo Monteiro
NOSSODIA
28 jan 2016 às 08:13

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Arquivo/Grupo Folha
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Até o momento, 14 pessoas foram executadas em Londrina. Seis delas entre terça e quarta-feira desta semana
Se já não bastasse a tragédia registrada na última semana, quando a queda de um avião matou seis trabalhadores, Londrina agora vive uma onda de assassinatos. Em 24 horas (entre terça e quarta-feira), são seis mortes, quatro delas na zona norte. Antes dos homicídios, um policial militar foi baleado na noite de segunda-feira, também na região norte. Ele se recupera no hospital. A PM descarta que as execuções sejam uma represália do ataque contra o agente de segurança. A Polícia Civil trabalha em busca de respostas, porém ninguém tinha sido preso até o fechamento desta edição.
Somente em janeiro de 2016, 14 pessoas foram assassinadas em Londrina. O janeiro mais violento dos últimos anos, conforme levantamento do NOSSODIA. Destes, dois morreram em confronto com policiais. Em janeiro de 2013 foram cinco assassinatos, 2014 foram 11 homicídios em Londrina. Número que se repetiu em 2015. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp), o ano de 2012 registrou 14 homicídios. Não há informações sobre mortos em confrontos neste período, o que pode aumentar o índice.
"É atípico. Em 2015 foram 55 homicídios e em questão de horas tivemos 10% deste número em 2016. É um fato preocupante e precisamos saber as circunstâncias que levaram a esses crimes", adiantou o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Sebastião Ramos Neto.

Vingança?
Por volta das 23 horas de segunda, um policial militar de folga foi baleado por dois homens na avenida Saul Elkind. A dupla teria descido de um veículo, atirado diversas vezes contra o ele e fugido. Horas após o crime, na madrugada de terça, dois jovens foram mortos a tiros, nos Conjuntos Semiramis e José Giordano, na mesma região. Na noite de terça e no início da madrugada de quarta, outras quatro pessoas foram assassinadas a tiros: dois homens no Conjunto Eucaliptos, zona leste, com idades de 33 e 41 anos, um no Conjunto Luiz de Sá, de 23 anos, e outro no Conjunto Farid Libos, 17 anos. Os dois últimos na região norte.
Por causa da série de assassinatos, se falou na circunstância de uma retaliação dos policiais após o ataque registrado na avenida Saul Elkind. "Tivemos sete eventos: a tentativa de homicídio contra o PM e os demais crimes. Não dá para dizer que um dos mortos participou da tentativa contra o policial. Ninguém pode dizer que os eventos estão ligados ao primeiro. Tudo está sendo investigado", afirmou. "Considero a descoberta da autoria e materialidade do primeiro fato muito importante para eliminar as dúvidas e boatos de envolvimentos de policiais", comentou Santos Neto. "Não trabalhamos com suposições, trabalhamos com fatos. Queremos crer que não tenha qualquer envolvimento de servidores policiais civil e militar, mas se tiver alguma ligação serão responsabilizados."
O delegado chefe destacou o empenho da Polícia Civil na apuração dos crimes. "Não podemos medir esforços para descobrir o que aconteceu nesta noite. São seis mortes em questão de horas. Não podemos descartar nada", afirmou. "Não há motivações e nem a identificação dos suspeitos pelos crimes, que se diferenciam dos outros casos apurados por nós. Em nenhum deles foram levados objetos das vítimas, nem dinheiro nem drogas", observou Santos Neto. (P.M.)

PM descarta represália
O tenente aspirante Bruno Franceschetti, porta-voz da 4° Companhia Independente de Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento das regiões onde as execuções foram registradas, acredita que não há relação entre os crimes. "Cada caso é um caso, cada local é um local. São casos isolados e inicialmente não há relação entre eles. Mas sabemos que a população pergunta se há alguma represália por causa da tentativa de homicídio contra nosso policial, mas descartamos qualquer possibilidade. Não se trata de vingança. Nosso trabalho é salvar vidas, não lidamos com mortes", ressaltou Franceschetti, afirmando que as vítimas dos homicídios, pelo menos os maiores de idade, já tinham antecedentes criminais. (P.M.)


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