Entrada de oito adolescentes entre 13 e 17 anos nas unidades de saúde de Curitiba - cinco por tentativa de suicídio por medicamentos e três por automutilação. O secretário estadual de Segurança, Wagner Mesquita, afirmou que um dos jovens relatou a participação no jogo.
Do ponto de vista da diretora da Escola Municipal Francisco Pereira Almeida Junior, Ivete Pimentel, a preocupação não é exagerada e o tema tomou proporção que merece reflexão e decisões. "Isso não pode ser considerado brincadeira porque leva à mutilação e até à morte. Não podemos nos omitir, principalmente porque a escola é o primeiro passo para o convívio em sociedade e é fundamental estarmos presentes e abordarmos temas como esse." Na escola Francisco Pereira de Almeida Junior são 440 alunos, da pré-escola ao EJA. De acordo com a diretora, a pedofilia nas redes sociais foi um assunto que também movimentou a escola por sua gravidade e virou assunto para ser discutido em sala e com os pais. "Baleia-azul é o assunto do momento. Por incrível que pareça, tudo que falam envolve um desafio e por isso vamos trabalhar esse tipo de ‘brincadeira’ de forma séria. É preciso nos desafiar?", questiona a professora.
A Delegacia de Homicídios de Londrina, que atende todos os casos de crimes contra a vida, informou na última quinta-feira (20) não atendeu qualquer caso de suicídio ou tentativa de suicídio envolvendo adolescentes e crianças nas duas últimas semanas.
Do ponto de vista da diretora da Escola Municipal Francisco Pereira Almeida Junior, Ivete Pimentel, a preocupação não é exagerada e o tema tomou proporção que merece reflexão e decisões. "Isso não pode ser considerado brincadeira porque leva à mutilação e até à morte. Não podemos nos omitir, principalmente porque a escola é o primeiro passo para o convívio em sociedade e é fundamental estarmos presentes e abordarmos temas como esse." Na escola Francisco Pereira de Almeida Junior são 440 alunos, da pré-escola ao EJA. De acordo com a diretora, a pedofilia nas redes sociais foi um assunto que também movimentou a escola por sua gravidade e virou assunto para ser discutido em sala e com os pais. "Baleia-azul é o assunto do momento. Por incrível que pareça, tudo que falam envolve um desafio e por isso vamos trabalhar esse tipo de ‘brincadeira’ de forma séria. É preciso nos desafiar?", questiona a professora.
A Delegacia de Homicídios de Londrina, que atende todos os casos de crimes contra a vida, informou na última quinta-feira (20) não atendeu qualquer caso de suicídio ou tentativa de suicídio envolvendo adolescentes e crianças nas duas últimas semanas.
Origem e reflexão
Por que um animal que chega a 180 toneladas e vive no mar emerge para a discussão sobre adolescentes? O "jogo" intitulado Baleia-azul traz 50 desafios que vão desde ouvir uma música em determinado horário, mutilações, ficar sem falar com ninguém e até dar cabo da própria vida. Especula-se que seu nome seria uma analogia às baleias encalhadas na beira da praias – e uma das hipóteses é a de que o encalhe é proposital, um suicídio. Daí, o nome.
Para a psicóloga especialista em Análise do Comportamento e Psicopedagogia Carina Paula Costelini Isper, há razões para falar sobre o suicídio infantojuvenil. "A atenção deve ser redobrada com os adolescentes que já estejam em fragilidade emocional e são alvos ainda mais vulneráveis. Entretanto, um seriado ou o ‘desafio da baleia’ não podem ser rotulados como os grandes vilões dessa triste realidade de jovens cometendo automutilações e suicídio. Muito além disso, está o grande impacto que a falta de diálogo, supervisão e contato com os filhos pode trazer para a vida deles. Um relacionamento familiar saudável e próximo proporciona ao jovem um desenvolvimento emocional que o ajuda a estar menos vulnerável a tais conteúdos, bem como relacionamentos familiares pouco fortalecidos e negligência parental podem fragilizar o desenvolvimento emocional do adolescente, o tornando mais propício ao envolvimento com tais práticas", reforça. (W.V.)
Por que um animal que chega a 180 toneladas e vive no mar emerge para a discussão sobre adolescentes? O "jogo" intitulado Baleia-azul traz 50 desafios que vão desde ouvir uma música em determinado horário, mutilações, ficar sem falar com ninguém e até dar cabo da própria vida. Especula-se que seu nome seria uma analogia às baleias encalhadas na beira da praias – e uma das hipóteses é a de que o encalhe é proposital, um suicídio. Daí, o nome.
Para a psicóloga especialista em Análise do Comportamento e Psicopedagogia Carina Paula Costelini Isper, há razões para falar sobre o suicídio infantojuvenil. "A atenção deve ser redobrada com os adolescentes que já estejam em fragilidade emocional e são alvos ainda mais vulneráveis. Entretanto, um seriado ou o ‘desafio da baleia’ não podem ser rotulados como os grandes vilões dessa triste realidade de jovens cometendo automutilações e suicídio. Muito além disso, está o grande impacto que a falta de diálogo, supervisão e contato com os filhos pode trazer para a vida deles. Um relacionamento familiar saudável e próximo proporciona ao jovem um desenvolvimento emocional que o ajuda a estar menos vulnerável a tais conteúdos, bem como relacionamentos familiares pouco fortalecidos e negligência parental podem fragilizar o desenvolvimento emocional do adolescente, o tornando mais propício ao envolvimento com tais práticas", reforça. (W.V.)
Cabeças-feitas consideram: ‘baleia-azul é balela’
Focado em entrar na faculdade de Medicina, o estudante Henrique Souza, 14 anos, conta que tomou conhecimento da "onda da baleia" assistindo ao telejornal na companhia dos pais. "Ah, só vai atrás quem quer ou não tem mais o que fazer". Por outro lado, pensa: "Tudo na internet se espalha fácil e há gente fragilizada".
Estudante do 1º ano de Direito da Universidade Estadual de Londrina, Lucas do Valle, 22, acredita que o tipo de jogo atrai os adolescentes por serem muito vulneráveis. "Querem sempre ser aceitos e não têm ideia de como isso pode prejudicá-los", ratifica.
A dona casa Juliana de Carvalho, 36, considera que o diálogo seja uma ferramenta preciosa entre pais e filhos. Moradora do União da Vitória, região Sul, tem quatro filhos, de 17, 14, 12 e sete anos. Sarah, de 12, chegou a receber o convite por meio de um link para entrar no jogo da baleia-azul: "Fui mostrar para a minha mãe de cara", recorda. "Eu conquistei essa confiança com diálogo. O meu filho de 14 passa horas na internet, mas tem cabeça feita. Sei que tem criança que é terrível e outras são ingênuas, então pais e escolas precisam se unir para orientar as crianças e adolescentes", pensa. (W.V.)
Focado em entrar na faculdade de Medicina, o estudante Henrique Souza, 14 anos, conta que tomou conhecimento da "onda da baleia" assistindo ao telejornal na companhia dos pais. "Ah, só vai atrás quem quer ou não tem mais o que fazer". Por outro lado, pensa: "Tudo na internet se espalha fácil e há gente fragilizada".
Estudante do 1º ano de Direito da Universidade Estadual de Londrina, Lucas do Valle, 22, acredita que o tipo de jogo atrai os adolescentes por serem muito vulneráveis. "Querem sempre ser aceitos e não têm ideia de como isso pode prejudicá-los", ratifica.
A dona casa Juliana de Carvalho, 36, considera que o diálogo seja uma ferramenta preciosa entre pais e filhos. Moradora do União da Vitória, região Sul, tem quatro filhos, de 17, 14, 12 e sete anos. Sarah, de 12, chegou a receber o convite por meio de um link para entrar no jogo da baleia-azul: "Fui mostrar para a minha mãe de cara", recorda. "Eu conquistei essa confiança com diálogo. O meu filho de 14 passa horas na internet, mas tem cabeça feita. Sei que tem criança que é terrível e outras são ingênuas, então pais e escolas precisam se unir para orientar as crianças e adolescentes", pensa. (W.V.)