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AUTORIZAÇÃO - Transplantes crescem, mas muita gente ainda se recusa a doar

28 jul 2016 às 10:34

O Paraná fechou o primeiro semestre com números positivos em transplantes realizados. A quantidade de doações cresceu 28% neste ano na comparação com igual período de 2015, saltando de 124 para 159. De janeiro a junho, foram 302 transplantes em 283 pacientes, alcançando um recorde nesse tipo de procedimento. Apesar dos números animadores, ainda é alto o índice de famílias que se recusam a doar os órgãos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica. Segundo a Central Estadual de Transplantes (CET/PR), a média de rejeição à doação de órgãos entre os paranaenses fica entre 38% e 40% dos casos de morte encefálica com viabilidade para transplante. Em Londrina, essa média é ainda maior e passa de 60%, segundo dados da Central de Transplantes da Regional Norte.
"Tem aumentado o número de doações. É uma questão de mudança cultural, mas há famílias que não são favoráveis à doação", disse a assistente social da CET/PR, Glaucia Repula. "Por isso é importante esclarecer, ainda tem muitas dúvidas." De janeiro a junho deste ano, 109 familiares não autorizaram a doação de órgãos de pacientes com morte encefálica no Paraná de um total de 446 notificações.
Para reduzir o percentual de recusa, a central realiza constantemente treinamentos e capacitações com todos os profissionais envolvidos na rede de transplante de órgãos para identificar a morte encefálica, notificar a central de transplantes, cuidar do paciente e conversar com a família sobre a doação no momento mais adequado. "O crescimento do número de doações é resultado de todo um trabalho das equipes dos hospitais, é um conjunto de trabalho e envolve muitas pessoas", ressaltou.

Por que dizem não à doação?
São diversos os motivos que levam as famílias a dizerem não ao serem procuradas pelos profissionais da rede de transplante. O principal deles é respeitar a vontade do parente, que não era doador em vida. Mas há também questões religiosas, falta de consenso na família, familiares que lembram da aversão do parente por cirurgias, receio de que os órgãos sejam desviados para uma rede de tráfico, deformidades no corpo que possam ser visíveis durante o velório e há até o medo de que a morte seja "apressada" para que os órgãos possam ser doados.
"No Paraná não existe tráfico de órgãos; há uma lista de receptores e essa lista é respeitada. O primeiro é o receptor mais compatível com o órgão a ser doado. Só passa à frente os priorizados, como cardíacos internados na UTI, pacientes renais que perdem o acesso vascular para fazer a diálise e aqueles que têm risco iminente de morte", explicou a assistente social da CET/PR, Glaucia Repula. "A doação não deixa marcas aparentes no corpo. Nossa equipe é treinada e capacitada para prestar todos os esclarecimentos aos familiares, mas temos que respeitar a vontade deles se optarem por não doar." (S.S.)


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