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ATIVISMO - Pelo fim da violência

21 nov 2016 às 08:58

A luta pelo fim da violência contra a mulher deve ser diária e abordada por toda a sociedade. Desde 2003, o Brasil participa da campanha mundial "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher". Neste ano, o tema da campanha "Machismo. Já passou da hora" faz um alerta sobre pequenas atitudes do cotidiano que levam ao desrespeito à mulher. Na manhã de domingo (20), a solenidade de abertura da campanha em Londrina foi realizada Concha Acústica, região central, com ações alusivas ao Dia Nacional da Consciência Negra. A campanha vai até 10 de dezembro.
Conforme o "Mapa da Violência", elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, em Londrina, só de janeiro deste ano até agosto, 2.377 atendimentos com psicólogas, assistentes sociais e de orientação jurídicas às mulheres vítimas de violência foram realizados pelas profissionais do Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CAM). Ao todo, 1.394 mulheres foram atendidas nesse período.
"Em uma sociedade com educação patriarcal, o homem tem o poder e domínio sobre a mulher e nós fazemos um trabalho de formiguinha ao longo dos anos para que haja a igualdade de gênero e não a igualdade ideológica de gênero. Queremos a igualdade entre homem e mulher em termos de cultura, serviço, emprego, salário e posição na sociedade", ressalta a secretária de Políticas para Mulheres de Londrina, Sônia Medeiros.
"As mulheres negras continuam ganhando muito menos que outra mulheres. Não vemos mulheres negras em cargos de presidência das empresas. Em Londrina só temos uma no cargo de diretoria. Se você entra em joalherias caríssimas, você não vê vendedoras negras", denuncia Sandra Mara Aguilhera, coordenadora do coletivo Black Divas. "As Black Divas vêm ao encontro do anseio de Dandara, que era esposa de Zumbi dos Palmares. Queremos as mulheres negras empoderadas, com educação, cultura e saúde. Mulheres negras e não negras", destaca Sandra.
O coletivo Black Divas integra o Grupo de Trabalho do Ministério Público que discute formas de combate contra o preconceito racial, implantado há cinco anos. Segundo o promotor Paulo Tavares, para combater o preconceito, o primeiro passo é fazer uma análise interna e pessoal. "Tudo passa pelo trabalho pessoal interno. É preciso discutir nos seus ambientes, pessoais e profissionais, o efeito destrutivo que o preconceito causa em todos nós", aponta.
Segundo ele, o preconceito não afeta só a população negra, mas a todos. "À medida que a população aumenta, isso afeta o acesso à educação, à saúde. Queremos uma vida digna para todas as pessoas e o combate contra a discriminação tanto de mulheres quanto contra os negros precisa ser diário", aponta.

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