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Atenção mulheres - Todo cuidado é pouco com a microcefalia

Rafael Souza
Grupo Folha
10 mar 2016 às 09:41

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O medo da microcefalia aumenta a cada dia entre as gestantes brasileiras. E como se trata de uma doença relativamente nova, o temor da contaminação vem acompanhado de uma série de questionamentos, para alguns dos quais ainda não há nem resposta confiável. E as dúvidas têm sido companheiras até mesmo para quem tem acesso mais fácil à informação. Grávida de quatro meses, a funcionária da Secretaria de Saúde de Ibaiti (Norte Pioneiro), Angélica Rodrigues, de 32 anos, revela que toma todos os cuidados necessários à prevenção e está sempre atenta a tudo que cerca a doença.
"Na situação que estou atualmente procuro conhecer, me informar e me cuidar porque afinal de contas é uma vida. A gente é envolta em uma série de temores. O risco que estamos correndo é grande, eu trabalho na área e sei que as consequências futuras são pesadas. Como mãe, como mulher, tenho medo das consequências", ressaltou.
Tanto é verdade que Angélica deixou sua cidade natal para participar de uma palestra sobre microcefalia no Hospital da Zona Sul, em Londrina, na quarta-feira, que foi ministrada pelo neurocirurgião Fahd Haddad. E a gestante foi embora com mais uma dúvida sanada. "Queria saber se contraísse o vírus da zika no final da gestação haveria riscos pro bebê e descobri que até depois que ele nascer ainda há o risco", disse ela. O evento fez parte da programação especial montada para a Semana Municipal da Mulher.
Gisele Ferreira, de 33 anos, também está grávida. Já são oito meses de espera pelo Pedro. "Como é recente, ainda não há informação suficiente. Eu mesma já peguei muita informação contraditória, de um médico dizer uma coisa e outro falar outra", ressaltou a funcionária pública.

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Entenda mais
A microcefalia - má formação do cérebro - é uma das patologias causada pelo zika vírus, transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Os primeiros casos no Brasil apareceram na região Nordeste, mas o Ministério da Saúde alerta que a doença já se alastrou pelo país. Entre as quase 4,5 mil suspeitas, cerca de 600 casos foram confirmados. A estimativa é de que o Brasil tenha 50 mil pessoas com a doença nos próximos anos. (R.S.)

FAMÍLIA
O neurocirurgião Fahd Haddad alerta para as possíveis consequências que a doença traz para a família. "É um momento importante que vivemos no Brasil e a microcefalia, como consequência do zika vírus, é grave, porque marca a pessoa para o resto da vida. Aqueles que conseguem sobreviver têm sequelas graves. Vai ter casos em que a família desestrutura praticamente, pois é necessário dedicação total para essas crianças", pontuou, alertando ainda que ela pode vir acompanhada de hidrocefalia e problemas neurológicos, como convulsões. "É importante a conscientização para que a prevenção ocorra com mais intensidade. O custo do tratamento é muito maior do que para prevenção", argumentou o médico. (R.S.)

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