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Atenção mamães - Atendimento gratuito para crianças com pé torto

24 jun 2018 às 19:42

A alegria que a administradora Fernanda Capelari sentiu ao dar à luz o filho Arthur, há sete meses, logo deu lugar ao medo quando o médico que realizou o parto informou que o bebê havia nascido com pé torto congênito. O problema não foi diagnosticado nos exames da fase pré-natal e ela ficou amedrontada sem saber se a criança conseguiria andar normalmente.


A dúvida de Fernanda é compartilhada por todos os pais com filhos que nascem com pé torto congênito. A boa notícia é que existe cura para o problema e há tratamento gratuito oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Londrina. Trata-se do Programa de Erradicação do Pé Torto Congênito, desenvolvido há um ano no Hospital Infantil - um dos 50 primeiros do Brasil a ser reconhecido por usar o Método Ponseti e a receber a chancela da Ponseti Internacional Association e Ponseti Brasil pela iniciativa. O método usa técnica não cirúrgica revolucionária no tratamento do pé torto congênito.


Iscal/Divulgação

"O Método Ponseti é executado em três etapas, que podem durar até os quatro ou cinco anos de idade, se iniciado ainda bebê", explica o ortopedista pediátrico Tiago Ikeda


Na manhã do último sábado (23), a instituição promoveu o 1º Encontro de pais e familiares de crianças com pé torto congênito. O evento foi conduzido pelo ortopedista pediátrico Tiago Ikeda, responsável pelo programa. Através de um bate-papo que envolveu cerca de 20 famílias foram tiradas algumas dúvidas em relação ao problema que quando não tratado causa dificuldades de locomoção, fazendo com que a pessoa caminhe pisando apenas nas bordas laterais dos pés.


De acordo com o médico, as perguntas que os pais mais fazem são: meu filho vai conseguir andar normalmente? Será que o problema surgiu por ter feito algo errado durante a gravidez? O que posso fazer para ajudar meu filho a superar isso? "A gente costuma deixar claro que seguindo o tratamento a criança vai andar normalmente e na mesma época que outras crianças que não nasceram com o pé torto. Explicamos que não existe nenhum estudo indicando que os pais podem ter causado o problema durante a gestação. E conscientizamos os pais mostrando que eles têm um papel fundamental na recuperação da criança e são corresponsáveis pela eficácia do tratamento que exige o uso de uma órtese [a botinha]", esclarece Ikeda.


Quatro em cada mil crianças
Segundo o médico, o pé torto congênito atinge quatro em cada mil crianças nascidas vivas. "Essas crianças nascem com os pés totalmente virados para dentro, por conta dos ligamentos do tornozelo serem mais contraídos. O tratamento deve ser iniciado logo nos primeiros meses de vida. O Método Ponseti é executado em três etapas que podem durar até os quatro ou cinco anos de idade, se iniciado ainda bebê", explica. Segundo ele, a primeira fase envolve o uso de gesso, que é trocado semanalmente até que os pés fiquem estirados, com possível procedimento cirúrgico em alguns casos. "Na segunda etapa a crianças passa a usar a órtese de Dennis-Brown, a botinha, por 23 horas/dia. E na fase final o uso da botinha é indicado somente para dormir. Depois disso as crianças voltam a andar normalmente, sem nenhuma sequela, geralmente aos cinco anos de idade", detalha. Ikeda informa que atualmente cerca de 20 crianças são atendidas pelo programa no Hospital Infantil. "Os pais com filhos que necessitam de atendimento devem primeiramente procurar um posto de saúde que fará o encaminhamento ao hospital, se necessário", enfatizou o ortopedista pediátrico. (M.R.)

TRANQUILIDADE
"Meu filho começou o tratamento com 15 dias de vida. E após passar pela fase do gesso e por uma cirurgia está usando a órtese diariamente. Quando soube que ele tinha esse problema tive muito medo de que ele não fosse conseguir andar pois nunca tinha ouvido falar do pé torto congênito. Hoje em dia sei que se eu seguir corretamente o tratamento ele andará normalmente. Fiquei bem mais tranquila", enfatiza a administradora Fernanda Capelari, citada no início da matéria. "Foi um susto muito grande saber durante o parto que meu filho João tinha os pés tortos. Mas o pessoal da maternidade já nos encaminhou para o tratamento que estou seguindo há sete meses. Estava muito apreensiva no começo, mas agora sei que vai dar tudo certo", ressaltou a copeira Carina Estofolete. (M.R.)


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