Uma febre tomou conta do país nos últimos anos: as corridas de rua. Seja para emagrecer, para fazer novas amizades, por competição, ou qualquer outro motivo, milhões de pessoas reservam um período do dia para calçar o par de tênis e sair correndo por aí. Segundo estudos de empresas especializadas no tema, pelo menos 6 milhões de brasileiros formam o grupo dos corredores. Muitos deles levam a sério a modalidade, com trabalho específico multidisciplinar para aprimorar o desempenho e prevenir lesões. Outros simplesmente saem correndo sem qualquer preocupação em fazê-lo da forma correta.
Para muitos, virou uma obsessão por resultados. Mas para a maioria, a corrida promove o encontro de quem busca uma vida mais saudável e não quer apenas competir, mas também participar e fazer um selfie na linha de chegada. É também um ótimo lugar para network, ou seja, fazer contatos pessoais e profissionais.
Mas é preciso uma atenção especial com um personagem chave para que esta rotina seja proveitosa e sadia: o joelho. O treinamento errado e a falta de supervisão profissional pode acarretar em um problema pouco conhecido, mas muito comum nos atletas, a Síndrome da Banda Iliotibial, a popular "joelho de corredor".
"A síndrome da banda iliotibial é uma lesão frequente no meio de praticantes de corridas, de forma amadora ou profissional, relacionada à sobrecarga, mais associada a corredores iniciantes ou que modificaram as características do treinamento que habitualmente realizavam. Ela caracteriza-se por dor na região lateral do joelho, aproximadamente 2 cm acima da linha da articulação. Normalmente, o paciente consegue apontar o local da dor, já que a doença se caracteriza por processo inflamatório na região onde o trato iliotibial sofre atrito devido a seu posicionamento em relação ao epicôndilo lateral do fêmur nos movimentos de flexo-extensão realizados durante a prática esportiva", explica o ortopedista Ciro Veronese dos Santos, especialista em cirurgia do joelho.
O médico aponta que os sintomas estão relacionados à prática da atividade. As dores normalmente se iniciam durante os treinamentos e provas, limitando os corredores a atingirem seus objetivos. Em alguns casos, ocorre permanência da dor após o término dos exercícios, mas normalmente há melhora com o repouso.
"Existem fatores considerados predisponentes para o surgimento da lesão como deformidades ou assimetrias de membros inferiores, proeminências ósseas ou doenças relacionadas aos pés", afirma o ortopedista.
Veronese aponta a falta de preparação adequada antes de iniciar o trabalho físico como preponderante para o acometimento da síndrome. "Em geral, as causas estão relacionadas a um desequilíbrio na relação alongamento/fortalecimento muscular e formas de treinamento", frisa.