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Até que uma tragédia aconteça - Buraco do Santa Rita segue sem solução

17 jan 2018 às 22:43

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Gina Mardones
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As chuvas dos últimos dias têm causado muitos transtornos aos moradores da rua Ébano, no jardim Santa Rita (zona oeste de Londrina). No fundo de vale do ribeirão Quati há uma enorme cratera que se formou em razão de uma erosão. A prefeitura aterrou uma parte dela, mas os problemas que desencadearam a erosão, diz a comunidade, não foram corrigidos e a cada chuva mais forte os riscos de alagamento e desabamento aumentam. A população cobra uma solução definitiva do poder público.
O servente de pedreiro José Luiz Alves mantém junto ao portão de entrada da casa dele uma chapa metálica que é colocada em frente às grades para conter a água da enxurrada. A família ficou traumatizada depois que em 2012 perdeu tudo em um alagamento. "A água derrubou o muro. Perdemos móveis, alimentos, roupas. Sorte que ainda tem muitas pessoas boas nesse mundo e nos doaram muitas coisas", comentou a esposa de Alves, a diarista Vanda Lúcia Alves.
Nesta semana, o filho do casal, Joubert Vinícius Alves, não conseguiu levar a filha ao médico por causa da péssima condição da rua que fica ao lado da casa dele e é a única via por onde é possível passar com o carro. "Falaram que iriam abrir essa rua, mas está assim até hoje. Colocaram pedra para tapar um buraco, mas não passaram o piche. Com a chuva, essa pedra toda desceu, fechou a vala que a prefeitura fez para canalizar a água da chuva e danificou ainda mais a rua", contou o rapaz. "Fizeram errado o conserto aqui. Colocaram as manilhas no lugar errado e não está adiantando muita coisa. Entra água na casa de todo mundo", acrescentou ele. "Disseram que voltariam em seis meses para terminar o serviço, já passou quase um ano e até agora ninguém veio para fazer o resto", reclamou José Luiz Alves.
O pedreiro aposentado Eurico Domingues mora bem de frente para a erosão e disse que o problema existe há pelo menos 40 anos, mas a situação se agravou nos últimos nove anos. "Foi aterrada uma parte, mas com as duas chuvas, de sexta-feira (12) e do domingo (14), ficou muito ruim. A água desce pela viela e fica complicado aqui para a gente. A tubulação que tinha aqui foi levada pela erosão e o desvio que fizeram com manilhas não dá conta de tanta chuva. Também colocaram manilhas pequenas. Tinha que ser das grandes", protestou.
Na sexta-feira passada, relatam os moradores, uma adolescente quase foi levada pela enxurrada e a força da água abriu uma rachadura na calçada, ameaçando a estabilidade de um poste de energia.
Mas não são apenas os moradores da rua Ébano que sofrem os efeitos da chuva aliada à falta de estrutura. A irmã de Morabito, Tereza de Fátima Morabito da Silva, mora uma rua acima, na Perobal, e na sexta-feira e domingo passados foi surpreendida pelo esgoto, que invadiu a casa dela. "É a terceira vez que isso acontece. Estou procurando outra casa para alugar. Quero sair daqui, mas não encontro. Não tem condições de ficar na minha casa. Limpei tudo, mas o cheiro está insuportável. Perdi o sofá e o guarda-roupas, além de outros móveis", contou. (Simoni Saris/Grupo Folha)

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Questões burocráticas
A prefeitura de Londrina iniciou, em 2017, o aterramento da erosão no fundo de vale do ribeirão Quati. Um grupo de trabalho foi organizado para discutir as medidas que poderiam ser adotadas para solucionar o problema e algumas delas foram postas em prática, mas outras dependem de questões burocráticas para saírem do papel.
O coordenador adjunto da Defesa Civil em Londrina, Demerval Anderson do Carmo, disse que alguns serviços já foram feitos no local para melhorar a estabilidade do solo e a conclusão dessa primeira etapa aconteceu no meio do ano passado. Além do aterramento da parte mais crítica do terreno, foram feitas mudanças na tubulação usada para escoar as águas das chuvas e desvios na canalização dessas águas para conter a velocidade da enxurrada. "Com as chuvas dos últimos dias, levou uma pequena parte, mas não levou tudo o que foi feito. Precisa fazer um aterramento mais de acordo com o que estava no projeto."
Para dar continuidade ao aterramento, informou o coordenador, serão necessárias uma licença ambiental e a licitação para construção do gabião, um entrelaçamento de pedras e arames, que vai chegar até o ribeirão Quati. "O problema é que as chuvas aumentaram, estão acima da média para o período", justificou. "É um transtorno, eu sei, mas ainda temos um prazo de trabalho que não é colocado por nós ou pela prefeitura. São prazos legais e dependemos de algumas liberações.
"O que aconteceu agora (com as chuvas dos últimos dias) não tem nada a ver com a cratera. A área de impermeabilização do solo daquela região é muito grande e a água não tem para onde escoar, os bueiros não dão conta da vazão e a água desce pela viela. Quando o clima melhorar, com certeza pode ser retomada a obra de reconstrução do que já foi levado pela chuva", disse. "Ali havia um problema de alagamento menor, mas a cada ano que passa a impermeabilização está ficando maior. A rua vai sofrer sempre que houver uma chuva forte. Não há plano adequado de drenagem naquela região."
Carmo destacou ainda que aquela região é pontuada por nascentes e foi ocupada irregularmente no passado. "Não teve uma infraestrutura adequada, mas não temos mais o que fazer. Não podemos retirar as famílias de lá porque os terrenos já foram legalizados." (S.S.)

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