As associações de bairros foram criadas para atender as necessidades da população. Pelo menos esse foi o propósito. Em Londrina, alguns locais lutam dia após dia para colocar isso na prática. Nem todas conseguem, sendo que muitas delas sofrem com a falta de recursos.
No Conjunto Ruy Virmond Carnascialli, na zona norte, a Associação trabalha com aulas de ginástica, zumba, artes marciais e inglês. Lá, os professores cobram cerca de R$ 35 por aluno para as atividades, sendo que R$ 5 vão para o caixa. Os gastos com água e luz somam R$ 250 por mês e são feitos eventos para complementar a receita. "Ainda sim é difícil fechar a conta, porque a população só colabora com muita insistência", lamentou Flávia Camargo, primeira-secretária.
Fora da associação, o grupo composto por Flávia, o presidente Eduardo Francischini e mais quatro pessoas, realizam a coleta de bolachas, roupas e calçados para o Projeto Cidadão Mirim. Eles agora querem expandir as ações para o restante do bairro. "Vamos terminar de pintar o espaço e melhorar a pintura do campo de futebol e das praças". Outro objetivo é de firmar parceria com Prefeitura para trazer projetos à terceira idade. "A população idosa daqui é muito grande", justifica Flávia. Diante de tanto trabalho, ela expõe a dificuldade de manter o local. "Nasci, fui criada e criei meus filhos todos aqui. Não ganhamos nada em troca. Queremos o bem do nosso bairro. Vamos à Prefeitura, corremos atrás de papeladas, protocolamos reclamações. Somos praticamente funcionários (da Prefeitura) sem salários. Temos que ser mais reconhecidos", desabafou.
Para reerguer a Associação do Conjunto Ernani Moura Lima, zona leste, Amélia Barbosa teve dificuldades. "O local estava virando um mocó. O antigo dono colocava muitas barreiras, mas consegui a autorização, regularizei os documentos e reabrimos", disse Amélia, que está na presidência há oito meses. As atividades começaram com aulas de capoeira e hoje já agregam parte educacional (reforço de matemática), psicológica, saúde (aeróbica) e de lazer (dança do ventre e flashback).
Reuniões são feitas toda última terça-feira do mês para uma prestação de contas, além de debater sobre eventos, pedidos e reclamações. Um dos protestos fez o grupo sair para as ruas. "Uma vizinha falou do problema de descarte irregular de lixo, mas a gente não sabia a quem recorrer. Ligamos para a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), marcamos uma reunião e eles enviaram uma equipe para nos ajudar. Recrutamos alguns vizinhos e fizemos a limpeza", disse.
"Tenho 40 anos de Ernani, mas nunca tinha pensado em assumir (a Associação). Não é fácil. A população tem ajudado bastante, principalmente na doação de roupas, que é onde fazemos nosso bazar e conseguimos o dinheiro para nos mantermos", finalizou Amelia. A associação ainda serve como ponto de atendimento do Centro de Referência de Assistência Social. (Edson Neves/NOSSODIA)
Pagando o preço
Dos 32 anos de vida da associação do Jardim Sabará, zona oeste, 12 deles foram sob o comando de José Aparecido Milani, que voltou à presidência em junho. O espaço recebia para aulas de ginástica, capoeira e ações destinadas aos idosos. Fora por seis anos, Milani viu outras pessoas não darem conta do recado. "Ninguém se dedicou a fazer a documentação, e a associação ficou parada por dois anos. Isso fez com que a Prefeitura retomasse o prédio. Agora, estamos mandando o restante da papelada para pegar o espaço de novo. Não vamos deixar a Prefeitura repassar o imóvel. Temos material para a reforma e vamos fazer um evento para levantar verba de mão de obra", afirmou. (E.N)
Difícil até para quem está certinho
A Associação de Moradores do Conjunto João Paz, na zona norte, existe há 40 anos e luta para seguir em frente. "Quando fazemos assembleias, quase ninguém aparece. Na presidência, você se torna inimigo público da comunidade. Eles acham que você está lucrando em cima", desabafa a atual presidente, Claudinete Pereira. A verba para manter o prédio vem dos alugueis do campo de futebol, da quadra poliesportiva e do centro comunitário, algo em torno de R$ 1.200 por mês. Entre as melhorias, estão a reforma dos banheiros do centro e a troca de lâmpada das praças do bairro. "É o que conseguimos fazer com os recursos que chegam". (E.N)