Desde a concessão da aposentadoria, muitos beneficiados convivem com pedidos de dinheiro, ofertas de empréstimos e propostas fora do alcance da realidade. Basta uma voltinha pelo Calçadão de Londrina, por exemplo, para ser abordado por um agente de alguma financeira oferecendo um consignado, com "ótimas condições". Em outros casos, alguém da própria família acaba abusando do idoso, forçando-o a fazer empréstimos e não pagando. A bola de neve é criada e, muitas vezes, a vítima fica sem chances de sair dela.
Ligações atrás de ligações. Assim é a rotina de chamadas para o telefone celular do aposentado José Pereira Pardim, 69 anos. Sem saber como descobrem seu número de telefone e outras informações como renda e consumo, diz que está vacinado contra ofertas de dinheiro fácil. "Fui caminhoneiro e minha aposentadoria é suada. Ninguém mexe no meu dinheiro, não", avisa. Natural de Candiúba, na Bahia, Pardim não deixa que confundam sua fala mansa com frouxidão. "Sou firme no discurso e não dou liberdade nem pra parente querer se aproveitar. Tem que saber se livrar do assédio porque os bancos, por exemplo, tentam induzir a gente a fazer o que não quer. Já fui vítima de cartão de loja. Quando oferecem, é mil maravilhas, depois tem anuidade, que é um absurdo quando se trata de um cartão de uso exclusivo em uma loja." Morador do jardim São Lourenço, Pardim diz que até pessoas informadas caem em ciladas. "Leio jornal, ouço rádio e sou muito cuidadoso. Está cheio de sanguessuga por aí".
Ligações atrás de ligações. Assim é a rotina de chamadas para o telefone celular do aposentado José Pereira Pardim, 69 anos. Sem saber como descobrem seu número de telefone e outras informações como renda e consumo, diz que está vacinado contra ofertas de dinheiro fácil. "Fui caminhoneiro e minha aposentadoria é suada. Ninguém mexe no meu dinheiro, não", avisa. Natural de Candiúba, na Bahia, Pardim não deixa que confundam sua fala mansa com frouxidão. "Sou firme no discurso e não dou liberdade nem pra parente querer se aproveitar. Tem que saber se livrar do assédio porque os bancos, por exemplo, tentam induzir a gente a fazer o que não quer. Já fui vítima de cartão de loja. Quando oferecem, é mil maravilhas, depois tem anuidade, que é um absurdo quando se trata de um cartão de uso exclusivo em uma loja." Morador do jardim São Lourenço, Pardim diz que até pessoas informadas caem em ciladas. "Leio jornal, ouço rádio e sou muito cuidadoso. Está cheio de sanguessuga por aí".
Tem idoso que perde o sono
O também aposentado Geraldo Conceição Pires, 67 anos, considera que o melhor negócio é dizer "não" para o monte de gente que chega pedindo ou oferecendo dinheiro. "Chegam na maior cara de pau. Tem filho que pede ajuda, o aposentado faz o empréstimo e depois os filhos se enrolam e fica tudo nas costas do aposentado. Pagam a primeira e depois é só enrolação. Depois, não tem como voltar atrás porque o valor da aposentadoria já vem com o desconto do que foi emprestado. Uma verdadeira armadilha que faz gente até perder o sono", reclama. "Mas eu nunca caí. Sou vivo". (W.V.)
O também aposentado Geraldo Conceição Pires, 67 anos, considera que o melhor negócio é dizer "não" para o monte de gente que chega pedindo ou oferecendo dinheiro. "Chegam na maior cara de pau. Tem filho que pede ajuda, o aposentado faz o empréstimo e depois os filhos se enrolam e fica tudo nas costas do aposentado. Pagam a primeira e depois é só enrolação. Depois, não tem como voltar atrás porque o valor da aposentadoria já vem com o desconto do que foi emprestado. Uma verdadeira armadilha que faz gente até perder o sono", reclama. "Mas eu nunca caí. Sou vivo". (W.V.)
Dica esperta : "Falo que ganho menos"
A aposentada Dirce Nogueira, 76 anos, se aposentou no ano 2000. Desde então, é um pedido atrás do outro de empréstimo da grana dela. Sem poupá-la, a idosa relata que o único filho pensa que a mãe possui um saco de dinheiro sem fundo e insiste para que ela faça o possível e o impossível para atender os desejos dele. "Se depender dele, passo fome". Com orientação de seu gerente bancário, a aposentada conta que passou a fazer uma reserva - confidencial. "Se eu não fizesse assim, estava frita. Tenho conhecida que passa apurado e, como eu, depois da aposentadoria, a exploração só aumentou. Trabalhei na roça dos sete aos 20 anos, me aposentei como cozinheira e a gente tem que dizer que ganha menos. Do contrário, ninguém tem limite em cima da gente", ensina. A aposentada afirma que tem conhecimento de que o uso de seu dinheiro de modo indevido é abusivo. "Tem filho que bate na mãe. O meu não. Pelo menos pede com carinho e quando liga já até sei o assunto. Sei que é pra pedir dinheiro, mesmo", conta. (W.V.)
A aposentada Dirce Nogueira, 76 anos, se aposentou no ano 2000. Desde então, é um pedido atrás do outro de empréstimo da grana dela. Sem poupá-la, a idosa relata que o único filho pensa que a mãe possui um saco de dinheiro sem fundo e insiste para que ela faça o possível e o impossível para atender os desejos dele. "Se depender dele, passo fome". Com orientação de seu gerente bancário, a aposentada conta que passou a fazer uma reserva - confidencial. "Se eu não fizesse assim, estava frita. Tenho conhecida que passa apurado e, como eu, depois da aposentadoria, a exploração só aumentou. Trabalhei na roça dos sete aos 20 anos, me aposentei como cozinheira e a gente tem que dizer que ganha menos. Do contrário, ninguém tem limite em cima da gente", ensina. A aposentada afirma que tem conhecimento de que o uso de seu dinheiro de modo indevido é abusivo. "Tem filho que bate na mãe. O meu não. Pelo menos pede com carinho e quando liga já até sei o assunto. Sei que é pra pedir dinheiro, mesmo", conta. (W.V.)
Orientação e educação financeira
"O idoso é vulnerável". O alerta é da psicóloga e assessora técnica da Secretaria Municipal do Idoso, Luciana Alvarez. Em recente curso de Educação Financeira oferecido pelos Centros de Convivência do Idoso, foi possível reforçar ainda mais a necessidade de orientar os idosos contra golpes dos quais são vítimas. De acordo com Alvarez, por meio de exemplos dos próprios aposentados ou pensionistas, fica clara a necessidade de alerta. "Além de os idosos aprenderem a ter controle das despesas, do que entra e do que sai durante o mês e se planejarem, entendem que é preciso saber dizer não, tanto para financeiras que têm metas a cumprir e objetivos lucrativos, como perante os familiares. Os empréstimos podem comprometer o salário e os familiares, por sua vez, não podem fazer do idoso uma fonte de renda. Por meio de exercícios, entendem que o vínculo afetivo deve ser respeitado e ele não deve ficar refém", explica. Alvarez destaca ainda a necessidade de poupar, evitar gastos supérfluos e não ceder a coações. "Estamos sempre aqui e o idoso pode nos procurar, assim como serviços públicos como o Procon, quando lesado". A secretária municipal do Idoso, Nádia Oliveira de Moura, reforçou a importância da atividade educacional na área financeira que, segundo ela, ajuda o idoso a cuidar de seu dinheiro de forma mais eficiente, evitando endividamentos e ajudando-o a se defender de possíveis golpes.
"O idoso é vulnerável". O alerta é da psicóloga e assessora técnica da Secretaria Municipal do Idoso, Luciana Alvarez. Em recente curso de Educação Financeira oferecido pelos Centros de Convivência do Idoso, foi possível reforçar ainda mais a necessidade de orientar os idosos contra golpes dos quais são vítimas. De acordo com Alvarez, por meio de exemplos dos próprios aposentados ou pensionistas, fica clara a necessidade de alerta. "Além de os idosos aprenderem a ter controle das despesas, do que entra e do que sai durante o mês e se planejarem, entendem que é preciso saber dizer não, tanto para financeiras que têm metas a cumprir e objetivos lucrativos, como perante os familiares. Os empréstimos podem comprometer o salário e os familiares, por sua vez, não podem fazer do idoso uma fonte de renda. Por meio de exercícios, entendem que o vínculo afetivo deve ser respeitado e ele não deve ficar refém", explica. Alvarez destaca ainda a necessidade de poupar, evitar gastos supérfluos e não ceder a coações. "Estamos sempre aqui e o idoso pode nos procurar, assim como serviços públicos como o Procon, quando lesado". A secretária municipal do Idoso, Nádia Oliveira de Moura, reforçou a importância da atividade educacional na área financeira que, segundo ela, ajuda o idoso a cuidar de seu dinheiro de forma mais eficiente, evitando endividamentos e ajudando-o a se defender de possíveis golpes.
Serviço
Em breve, os Centro de Convivência do Idoso voltam a oferecer o curso de Educação Financeira. Interessados já podem entrar em contato com as unidades e deixar o nome. As oficinas são gratuitas e destinadas a idosos com renda de até dois salários mínimos e com idade igual ou superior a 60 anos. O CCI Leste fica na Rua Gabriel Matokanovic, 260, Jardim da Luz. Fone: (43) 3375-0307. A CCI Oeste fica Rua Serra Pedra Selada, 111, Jardim Bandeirantes. Fone: (43) 3375-0334.
Em breve, os Centro de Convivência do Idoso voltam a oferecer o curso de Educação Financeira. Interessados já podem entrar em contato com as unidades e deixar o nome. As oficinas são gratuitas e destinadas a idosos com renda de até dois salários mínimos e com idade igual ou superior a 60 anos. O CCI Leste fica na Rua Gabriel Matokanovic, 260, Jardim da Luz. Fone: (43) 3375-0307. A CCI Oeste fica Rua Serra Pedra Selada, 111, Jardim Bandeirantes. Fone: (43) 3375-0334.