Conhecer de perto o problema de quem reclama é uma oportunidade de se colocar no lugar do próximo. Essa é a esperança de quem vive há décadas na rua rua Gino Tamiozo, bairro Santa Luzia, nas proximidades do conjunto Novo Amparo, região norte de Londrina. A comunidade espera que as autoridades competentes visitem o local e avaliem os danos causados pela ausência de asfalto e façam as melhorias. "Somos abandonados". Em outras palavras, é o que cobra a dona de casa Silvia Regina Cordeiro, 46 anos. Há 25 mora no bairro e relata: "Esse trecho em que a gente está recebeu o asfalto na base de muita luta. Na verdade uma vida, até porque, precisou morrer uma criança para que colocassem asfalto. Hoje, a Mariane teria 19 anos", recorda. "Precisamos até fazer abaixo-assinado depois que ela morreu", acrescenta. A dona de casa Rita de Cássia Laureano, 31 anos, expõe seu drama: "Esse pedaço está triste. Sofremos o ano todo pelo excesso de pó, a maioria tem problema respiratório, a casa não para limpa e quando as crianças vão para a escola dá dó." Rita de Cássia explica que tem cinco filhos, todos em idade escolar e a travessia é uma aventura. "Damos sorte que nos dias de chuva tem carona, porque não daria conta andando". São cerca de 600 metros a receber asfalto e a população afirma que é um reivindicação antiga.
Para os moradores, o problema se soma a uma série de dificuldades ligadas à infraestrutura. "A iluminação é precária", explica Valter Junior. "Político só aparece em época de campanha. As galerias pluviais estão todas entupidas e o máximo que recebemos é uma roçagem de vez em quando. Por causa dos buracos, o ônibus vive quebrando, assim como as motos", diz Junior. O capim tingido de vermelho fica às margens da travessia de quem vai para escola ou volta do trabalho. "Uber não vem, farmácia só até as 6h da tarde e mototáxi só aceita a corrida se for via jardim Tropical. Carrinho de feira não aguenta a viagem", enumera a moradora Silvia Cordeiro. Da maneira que podem, moradores tentam melhorar o caminho com restos de material de construção usados como tapa-buraco.
Resposta
A reportagem procurou por dois dias seguidos a Secretaria de Obras. Em atendimento à reportagem do NOSSODIA, o diretor de Serviços Urbanos e Pavimentação da pasta, Haroldo Haruo Takaso, informou que não tem como responder sobre o assunto e que vai se inteirar para então dizer o que pode ser feito. (W.V.)
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