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As saudades do ‘Mato o Veio’

05 ago 2018 às 21:49

Aos 94 anos, seu Miguel Pereira da Silva é só bom humor. Natural de Barbalha, no Ceará, após formar família buscou novos ares e migrou para o Rio de Janeiro. Os 17 filhos deram a ele netos a perder as contas. Com a saúde para lá de boa, brinca: "Médico pra quê? Vou mentir pra ele?" Os passeios ao centro de Londrina são diários e uma feirinha de rolo é para ele diversão. Mostra o relógio e o anel negociados sem dificuldade. "Compro e vendo. Mais fácil eu passar a perna em alguém", faz piada. A ladeira não assusta o cearense, que no rumo da alegria, caminha sem dificuldades. Os banhos de sol também completam seu Miguel, para o qual todo alimento é sagrado. O franguinho caipira é dos favoritos, sem contar a comida tipicamente nordestina. "Pé de boi, dobradinha e rabada", cita. Passageiro fiel dos coletivos, gosta dos bancos mais altos. "A vista é melhor". Entre outros prazeres, os programas da televisão e a leitura, embora a vista já não esteja 100%. "Só fui três dias para escola, era muito traquina." Marceneiro aposentado, é do tempo em que a produção era mais ampla. "Fazia carroça, carroção, carroceria de caminhão". Viúvo desde 2002, o amor à esposa Delzuíde é declarado: "Foram mais de 50 anos juntos. Ela era delicada e vivíamos mais no Mata o Veio, nosso forró, que em outro lugar".

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