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Arte para os idosos - Uma pintura de socialização

Walkiria Vieira
NOSSODIA
14 jul 2016 às 09:30

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Walkiria Vieira
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Sobre a mesa, um pacote de biscoito de sequilho, outro de suspiro. Em volta, uma turma mista de idosos empenhados e descobrindo-se na arte da xilogravura, que compreende a elaboração de um desenho, o entalhe dele na madeira e na sequência a impressão no papel. "Xilogravura é a arte de gravar na madeira". Xilo = madeira. Gravura = gravar/entalhar", explica a professora Natália Bispo de Beija Gossler, 25 anos, uma das instrutoras do curso. "A xilogravura a princípio é uma técnica muito antiga e foi uma das primeiras formas de reprodução da imagem e da escrita, mas passou a ser considerada uma arte após seu uso por artistas e movimentos artísticos", valoriza. As goivas, ferramentas usadas para entalhar a madeira, cumprem seu papel, em movimentos delicados e precisos. Mais que absorver a técnica, o grupo da terceira idade, que se reúne duas vezes por semana nos centros de convivência do idoso, entra no clima de fazer arte e busca em suas vivências imagens que valem mais de mil palavras. O aluno José Valente, 72 anos, decidiu fazer um autorretrato. Na cena, um registro da Ilha da Pimenta, em Sertaneja, estão Valente e seu cachorro Coró a bordo do Titanic, o barco da família. "O lugar inspira, agora sou pescador profissional, mas fui caminhoneiro e marceneiro. Além do autorretrato, na madeira há um pássaro imponente feito pelas mãos de Valente. "Ah, pode tirar foto do meu passarinho também", orgulha-se. Foi graças à indicação da esposa que seu José Higino Bacili, 74 anos, está fazendo arte como nunca. Ela frequenta as aulas de ginástica do Centro de Convivência e de certo a esposa já sabia o potencial do novo aluno que a turma teria. Dois trabalhos já prontinhos: de um lado, um alce. Do outro, um burrinho. Este, um presente que já tem dona. "Será uma surpresa", faz suspense. Seu José ainda fabrica seus próprios formões – usa barbatanas de guarda-chuva quebrado. "Sempre que eu viajava, observava as entradas da fazenda e admirava", conta.

Bibliotecas vivas
Para os instrutores do primeiro curso de xilogravura do centro de convivência do idoso, contemplado por meio do Programa de Incentivo à Cultura (Promic), ensinar para quem quer aprender é uma troca muito interessante. A professora Natália Bispo de Beija Gossler, 25 anos, formada em Artes Visuais, e o professor Raromm Atmannn, 26 anos, formado em Ciências Sociais e especializado em Arte e Educação, explicam que muitos não conheciam sobre a xilogravura. "Mas fizeram a inscrição e foram associando o conhecimento de mundo e a história de cada um acrescenta muito ao projeto. O resultado vem da memória pessoal e do imaginário coletivo. Eles trazem vivências pessoais, seu gostos seja pela pesca, artesanato, jardinagem, o contato com animais e lembranças de roças de café e da vida no sítio", explicam. Os professores observam ainda o papel socializador da oficina. São muito dedicados, combinam de fazer outras coisas juntos e chegam a dizer que esse é o trabalho mais bonito que já fizeram na vida. E nosso papel é também valorizar a contribuição do idoso para a sociedade, pois são bibliotecas vivas e aqui nossa proposta é que contem sua história, por meio da xilogravura", reforçam. (W.V.)

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Secretaria na ativa
De acordo com a assistente social e gerente de articulação comunitária da Secretaria Municipal do Idoso, Maria Angela Santini, as unidades recebem constantemente agradecimentos de idosos e familiares, contentes com o trabalho desenvolvido e ainda relatos de melhora na qualidade de vida. Tendo em vista o crescimento da população idosa, a secretaria considera que esteja no caminhos certo. "A Secretaria Municipal do Idoso atua com a política nacional do idoso visando a garantia dos direitos do idoso e a qualidade de vida dos mesmos". Nos dois espaços são oferecidas oficinas semanalmente oficinas em diversos formatos e temas. Santini informa que na zona leste a frequência diária é de 100 idosos e na zona oeste 150 e o cadastro das duas unidades chega a mil idosos. " Um dos objetivos é oferecer oportunidade, informações e atividades para que os idosos possam se socializar, buscar autonomia e a independência nas atividades diárias, bem como obter satisfação e melhores condições de vida", acrescentou.


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