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Arrecadação

08 ago 2018 às 23:25
O suposto desvio de R$ 1,29 milhão impressiona pelo grande volume e atinge um hospital que possui dificuldades de arrecadação de recursos, pois é uma instituição filantrópica e sem fins lucrativos. Para efeitos comparativos, recentemente o hospital havia anunciado a construção de uma nova UTI, com 15 leitos, avaliada em R$ 844 mil. Ou seja, o suposto desvio pode ter superado em mais de R$ 450 mil o volume de recursos previstos para custear as obras tão necessárias para a melhoria de estrutura do hospital. A primeira etapa dessas obras terminaria em setembro deste ano. Nessa fase, foi previsto um investimento de R$ 500 mil em que seriam realizados reparos para modernizar a ala materno-infantil e da reforma da UTI para bebês, o que dobraria a capacidade de dez para 20 leitos na UCI (Unidade de Cuidados Intermediários). O restante dos recursos devem ser liberados em uma segunda etapa e com eles será realizada a reforma em leitos existentes e no posto de enfermagem. Um desfalque como esse apurado pela auditoria interna pode comprometer a saúde financeira da instituição.
O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, informou que não poderia dizer quanto de recurso oriundo do SUS é repassado ao hospital porque no momento da entrevista não tinha o contrato em mãos. Questionado sobre o impacto de um hospital que atende o SUS sofrer um desvio de recursos tão grande, Machado não quis se pronunciar. "Prefiro não falar sobre o assunto. Não sei o que aconteceu. Não sei se o dinheiro desviado era do SUS, já que o hospital atende convênios de planos de saúde e particulares também. Evidente que qualquer desvio deve ser apurado, seja particular ou público, e eu digo isso como cidadão, não como secretário municipal de Saúde, mas é complicado dizer qualquer coisa neste momento", afirmou.
Para o promotor de Defesa da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares, embora o crime ainda esteja sendo apurado, os hospitais de forma geral – mesmo os filantrópicos, como o Evangélico - passam por um período de carência de recursos. "O município tem uma dívida alta com todos prestadores dos hospitais por conta dos serviços que são realizados e não pagos. Isso está relacionado ao nosso fundo municipal de saúde, que deveria receber mais da União", alega. (V.O.)

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