A caminhada por duas quadras do Calçadão deixaria o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, autor de "No meio do caminho", atônito. Sem que leve em conta as retinas fatigadas dos tantos aposentados que usam o acesso, os diversos obstáculos já fizeram e fazem vítimas frequentemente. O consultor de vendas Feliphe Ribeiro, 30 anos, trabalha há três anos em uma loja por lá e já presenciou vários acidentes. Diante de um alerta improvisado de um buraco, Ribeiro conta que está ali há mais ou menos um mês. "Muitas pessoas que usam a lotérica caíram ali, então decidiram fazer isso por precaução." A gambiarra está ali, mas não reina absoluta nesta quadra do Calçadão. "Precisaria de manutenção constante, há muito desnível e infelizmente alguns tombos são bem feios", relata.
Poucos metros adiante, há tampas de ferro quebradas, grande quantidade de piso solto e desníveis – nem sempre tão fáceis de serem vistos. Em uma esquina, o que restou de uma placa de trânsito transformou-se em armadilha aos pedestres. Diante dos tantos acidentes, um ambulante que prefere não se identificar relata que tratava-se de uma placa sinalizando a proibição do tráfego de bicicletas na Avenida Paraná - Calçadão de Londrina. "Eu tô aqui vendo e quase todo dia cai gente. Isso é errado, hein!", questiona. "E olha que aqui tem sempre agente da CMTU fazendo a fiscalização e também poderiam ver o que está colocando as pessoas em risco numa simples caminhada. Cai gente de idade, molecada, criança e isso tem que mostrar mesmo", reforça. A jornalista Sirlei de Almeida, 50 anos, considera urgente uma providência." Aqui há muita circulação de pessoas e elas são postas em risco. Mas basta olhar para cima e ver o emaranhado de fios para constatar o quanto estamos atrasados. Muitas secretarias da atual gestão deixaram muito a desejar. Fizeram pouco", opina.
Neste caso, quem não olhar por onde anda fatalmente sofrerá um acidente
A zeladora Zilda Regina Gonçalves, 46 anos, é moradora do Jardim União da Vitória, zona sul de Londrina. "Eu bem que gosto de sandália, de rasteirinha, mas não me arrisco." Zilda trabalha no centro da cidade e parte de seu trajeto até o trabalho é na base da sola. Então, pela manhã, calça um tênis e segue atenta aos obstáculos que estão sempre surgindo. "Tem que ficar ligado, cada hora tem um buraco novo e ninguém quer se acidentar e ficar parado", diz.
De Guaravera, o casal de aposentados Salete Augusto, 60 anos e José Augusto, 67, encontra no clima ameno oportunidade para um passeio por Londrina. Seu José conta que foi agricultor a vida toda e ensina: "Devagar se chega lá". E a esposa complementa: "Quando a gente sai de casa, já pensa na jornada. Tenho problema de coluna então todo calçado tem que ser confortável e seguro. Fico de olho por mim e por ele. Todo mundo tem que ser cuidadoso porque os perigos estão pelo caminho e na nossa idade, um tombo pode compromete um tanto", considera. Moradora há décadas da região Central, a aposentada Ana Conceição Dalpozzo diz que os problemas do calçamento não se limitam ao Calçadão. "Uma pena. Dê uma passadinha na Rio de Janeiro, toda a calçada da fachada da Biblioteca destruída. Uma tristeza. Petit pavet solto por toda parte." Ao lado das companheiras de passeio, Ana segue. E todas de tênis. "Sempre: sapatilha firme ou tênis", orienta. (W.V.)
De acordo com a assessoria de imprensa da Sanepar, o problema apontado pelos leitores é uma tampa de inspeção de ramal de esgoto. "Para que a troca seja efetuada, o cliente deve entrar em contato e solicitar o serviço. O prazo para troca é de um dia." O telefone da Sanepar é 0800-200-0115. Neste caso, a empresa se comprometeu a fazer as adequações. A CMTU informou que o problema em relação ao pedaço de poste que permanecia na via foi retirado e o problema solucionado. O Secretário de Obras, Walmir Matos, explicou que há demandas emergenciais e as equipes estão comprometidas com os problemas causados pelas chuvas de janeiro. "A Secretaria de Obras está sobrecarregada e só depois que houver possibilidade, mobilizaremos uma equipe para resolver tudo de uma vez no Calçadão", disse. Em relação ao calçamento da biblioteca, disse:" Preciso que seja feita uma consulta ao Patrimônio". (W.V.)