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Armadilhas urbanas - Mais que pedras no meio do caminho

Walkiria Vieira
NOSSODIA
21 jul 2016 às 08:59

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Fotos: Walkiria Vieira
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A caminhada por duas quadras do Calçadão deixaria o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, autor de "No meio do caminho", atônito. Sem que leve em conta as retinas fatigadas dos tantos aposentados que usam o acesso, os diversos obstáculos já fizeram e fazem vítimas frequentemente. O consultor de vendas Feliphe Ribeiro, 30 anos, trabalha há três anos em uma loja por lá e já presenciou vários acidentes. Diante de um alerta improvisado de um buraco, Ribeiro conta que está ali há mais ou menos um mês. "Muitas pessoas que usam a lotérica caíram ali, então decidiram fazer isso por precaução." A gambiarra está ali, mas não reina absoluta nesta quadra do Calçadão. "Precisaria de manutenção constante, há muito desnível e infelizmente alguns tombos são bem feios", relata.
Poucos metros adiante, há tampas de ferro quebradas, grande quantidade de piso solto e desníveis – nem sempre tão fáceis de serem vistos. Em uma esquina, o que restou de uma placa de trânsito transformou-se em armadilha aos pedestres. Diante dos tantos acidentes, um ambulante que prefere não se identificar relata que tratava-se de uma placa sinalizando a proibição do tráfego de bicicletas na Avenida Paraná - Calçadão de Londrina. "Eu tô aqui vendo e quase todo dia cai gente. Isso é errado, hein!", questiona. "E olha que aqui tem sempre agente da CMTU fazendo a fiscalização e também poderiam ver o que está colocando as pessoas em risco numa simples caminhada. Cai gente de idade, molecada, criança e isso tem que mostrar mesmo", reforça. A jornalista Sirlei de Almeida, 50 anos, considera urgente uma providência." Aqui há muita circulação de pessoas e elas são postas em risco. Mas basta olhar para cima e ver o emaranhado de fios para constatar o quanto estamos atrasados. Muitas secretarias da atual gestão deixaram muito a desejar. Fizeram pouco", opina.

Neste caso, quem não olhar por onde anda fatalmente sofrerá um acidente
Neste caso, quem não olhar por onde anda fatalmente sofrerá um acidente


Calçadão pede calçado adequado
A zeladora Zilda Regina Gonçalves, 46 anos, é moradora do Jardim União da Vitória, zona sul de Londrina. "Eu bem que gosto de sandália, de rasteirinha, mas não me arrisco." Zilda trabalha no centro da cidade e parte de seu trajeto até o trabalho é na base da sola. Então, pela manhã, calça um tênis e segue atenta aos obstáculos que estão sempre surgindo. "Tem que ficar ligado, cada hora tem um buraco novo e ninguém quer se acidentar e ficar parado", diz.
De Guaravera, o casal de aposentados Salete Augusto, 60 anos e José Augusto, 67, encontra no clima ameno oportunidade para um passeio por Londrina. Seu José conta que foi agricultor a vida toda e ensina: "Devagar se chega lá". E a esposa complementa: "Quando a gente sai de casa, já pensa na jornada. Tenho problema de coluna então todo calçado tem que ser confortável e seguro. Fico de olho por mim e por ele. Todo mundo tem que ser cuidadoso porque os perigos estão pelo caminho e na nossa idade, um tombo pode compromete um tanto", considera. Moradora há décadas da região Central, a aposentada Ana Conceição Dalpozzo diz que os problemas do calçamento não se limitam ao Calçadão. "Uma pena. Dê uma passadinha na Rio de Janeiro, toda a calçada da fachada da Biblioteca destruída. Uma tristeza. Petit pavet solto por toda parte." Ao lado das companheiras de passeio, Ana segue. E todas de tênis. "Sempre: sapatilha firme ou tênis", orienta. (W.V.)

Respostas
De acordo com a assessoria de imprensa da Sanepar, o problema apontado pelos leitores é uma tampa de inspeção de ramal de esgoto. "Para que a troca seja efetuada, o cliente deve entrar em contato e solicitar o serviço. O prazo para troca é de um dia." O telefone da Sanepar é 0800-200-0115. Neste caso, a empresa se comprometeu a fazer as adequações. A CMTU informou que o problema em relação ao pedaço de poste que permanecia na via foi retirado e o problema solucionado. O Secretário de Obras, Walmir Matos, explicou que há demandas emergenciais e as equipes estão comprometidas com os problemas causados pelas chuvas de janeiro. "A Secretaria de Obras está sobrecarregada e só depois que houver possibilidade, mobilizaremos uma equipe para resolver tudo de uma vez no Calçadão", disse. Em relação ao calçamento da biblioteca, disse:" Preciso que seja feita uma consulta ao Patrimônio". (W.V.)


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